03 / 09 / 2019

Test-drive: Toro Freedom AT9 4X4 2020 a diesel

Picapes no Brasil ganharam – nos últimos 15 anos – conforto e tecnologia de carro de passeio, além de design próprio. Quase não possuem mais os traços derivados de algum veículo que servia de base para um projeto de um utilitário; e a Fiat Toro é um ótimo exemplo disso: nasceu do zero e chegou ao mercado com personalidade, tomando a liderança dos segmentos C e D no Brasil, mantendo-se nesse instante com quase 30 % de market share.

Avaliei (por quase 10 dias) a versão Freedom com motor 2.0 turbo de 4 cilindros movido a óleo diesel. O conjunto tinha câmbio automático de 9 marchas, tração 4X4, rodas de liga leve, sistema multimídia com tela sensível ao toque e bancos revestidos em couro (opcional), já que essa versão sai de série com assentos cobertos com tecido tradicional. Em tópicos, e sem muitas firulas, descrevo a seguir alguns detalhes dessa picape da Fiat que é fabricada aqui no nordeste brasileiro, em Goiana (PE).

Estilo >> Sem dúvida, é um dos pontos fortes desse carro. O design da Toro, comprovadamente se converteu num dos motivos de compra mais fortes. Vendedores de showroom nas concessionárias comercializam a Toro para muitos clientes que irão utilizá-la no dia a dia como se fosse um carro de passeio, desprezando seus atributos de utilitário.

Capacidade de carga >> Poucos, pouquíssimos proprietários de uma picape desse porte colocarão algum dia 1 tonelada na sua caçamba de carga. É isso que ela suporta e esse é outro ponto positivo. A suspensão traseira da Toro também é um destaque muito interessante.

Seu eixo da parte de trás se movimenta para baixo (e para cima) e também para frente e para trás. Não conheço outra picape no mercado com esse tipo de mecanismo.

Interior >> A versão testada (Freedom/diesel) tinha praticamente todos os opcionais, inclusive bancos em couro. A Fiat tradicionalmente executa bons acertos de ergonomia. A Toro tem tudo ao alcance das mãos e a regulagem do banco do motorista, associada à coluna de direção (também ajustável em altura e profundidade), proporciona conforto para pernas e braços.

O console central, no entanto, tem pouco espaço e é mal dividido. Apesar do apoio de braço ocultar um receptáculo para objetos, são poucos os porta-trecos. Inadmissível numa picape.

Multimídia >> Esta configuração já oferece a nova tela multimídia de 7 polegadas sensível ao toque. O sistema é bem inteligível e fácil de ser manipulado. Ao lado da alavanca de câmbio tem uma porta USB e outra lá atrás, à frente dos assentos traseiros. Em várias ocasiões, ambas as entradas USB não conseguiam ler o pen drive que inseri com músicas. Para eliminar dúvidas, troquei o pen drive e ocorreu a mesma falha, somente solucionada retirando e recolocando o dispositivo. Mas o ambiente sonoro é aceitável, sem distorções no volume máximo. No geral, o interior é bem acabado e com espaço suficiente para, no máximo, 4 pessoas.

Motor >> A linha Toro pode vir com os motores Flex 1.8 e 2.4 ou 2.0 turbodiesel, todos eles com 4 cilindros. No caso do propulsor alimentado com óleo diesel (Multijet 16V), são 170 cv de força. O torque alto em baixas rotações é uma das características desse motor.

Atende bem em qualquer situação, mas, na minha opinião, não pode ser considerado econômico. Com o pé muito leve, consegui somente 6,7 km/litro em ciclo urbano. O câmbio automático de 9 marchas é robusto e com trocas suaves.

Balanço geral >> A Toro Freedom 2.0 diesel AT9 4X4 tem preço sugerido de R$ 140.990. Com desconto de 20% para produtores rurais, por exemplo, o valor cai para R$ 112.792, montante mais aproximado da realidade para esse carro.

O porte é médio e a Toro não chega a ser um trambolho para se guiar ou estacionar no dia a dia, pois evidentemente, qualquer pessoa se acostuma com um carro a partir do uso constante, mas o detalhe que sempre me incomodou nesse carro é a diminuta visibilidade alcançada pelo retrovisor central. Nota 8 na média geral. (Fotos: agência FBA / Instagram: @acelerandoporai)

 

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