31 / 03 / 2013

Clássico da semana: Rolls-Royce Camargue (1975-1986)

No início dos anos ´70 a Rolls-Royce viveu um momento de crise financeira, por isso, necessitava urgentemente de um inédito (e carismático) modelo que pudesse injetar novo ânimo na marca britânica. Até aquele instante o ´Corniche´ era o carro de destaque, mas já não tinha a mesma força de vendas de sempre, daí, baseado nas linhas do Bentley “T” (desenhado pelo estúdio Pininfarina), surgiu o projeto do Rolls-Royce Camargue, que deveria ser um enorme sedã de duas portas que esbanjasse charme e elegância. O foco claramente era o mercado dos ricos consumidores norte-americanos.

Linhas retas e limpas: desenho tipicamente italiano de Pininfarina

História >> Pela primeira vez após a 2ª Guerra Mundial, a criação de um Rolls-Royce não sairia das pranchetas inglesas e o desafio caiu no colo da empresa do italiano Sergio Pininfarina, designer já famoso por criar, especialmente, veículos esportivos. E o talento outra vez falou mais alto. Por intermédio de Paolo Martin, notável designer da renomada Pininfarina, o Camargue viria a ser um dos automóveis mais bonitos da Rolls-Royce.

Grade inclinada num ângulo de 7 graus foi uma novidade na marca

 

Linhas >> Paolo desenhou um grande sedã de duas portas, impecavelmente elegante em proporções. Maior do que o Corniche, o novo Rolls-Royce Camargue teve sua estreia em 1975 e foi fabricado até 1986. Alguns detalhes estéticos desse luxuoso carro transpareciam mais do que outros no conjunto, como por exemplo, os para-brisas (dianteiro e traseiro) com uma curvatura e inclinação incomuns e o posicionamento da grade/radiador, encravados na frente com um ângulo oblíquo de 7 graus, compondo com o capô uma escultura imponente.

Modelo com seu charme discreto era imponente e pesava 2.329 kg

 

Dados técnicos >> A vida do Camargue durou 11 anos e, mesmo com um baixo volume de produção, ele foi muito bem aceito. Há uma dúvida quanto ao número de carros fabricados, pois não se sabe ao certo se foram 530 ou 531 unidades. A margem é mínima, mas acredita-se que, no total (contando-se com 5 protótipos de testes), foram feitos 535 Camargues.

Carro mais caro de sua época tinha espaço imenso e painel de instrumentos inspirado em aviões

Seu motor era um V8 de 6,7 litros (6.750 cm³) e a transmissão automática (tipo TH400) disponibilizava 3 marchas. Apesar dos 2.329 kg, esse Rolls-Royce conseguia acelerar de zero a 100 km/h em pouco mais de 11 segundos, atingindo quase 200 km/h de velocidade final.

Aqui, outra configuração em couro marrom no luxuoso automóvel

 

Curiosidades >> Esse modelo serviu para promover a marca britânica principalmente nos Estados Unidos, maior mercado consumidor da Rolls-Royce até hoje. Como era um sedã de tamanho grande e possuía apenas duas portas, para uma maior comodidade dos passageiros de trás na hora de desembarcar do veículo, foi adotado um sistema de maçaneta interna dupla, uma delas posicionada na parte final das portas.

Outro detalhe incrível desse carro (mais caro do mundo na sua época) foi o sistema de ar-condicionado. De tão bem elaborada, somente essa peça era mais cara do que um carro compacto e precisou de quase 1 década para ser desenvolvida com perfeição. Sua capacidade de refrigeração era igualada à força de 20 geladeiras!

1 Comentário

  1. Luiz Antonio de Albuquerque disse:

    Prezado Fábio:
    Excelente artigo. Não conhecia esse modelo de Rolls Royce. Parabéns.
    Luiz Antonio

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