01 / 10 / 2018

O hidrogênio como fonte ideal para os carros elétricos

Todo mundo já sabe que os automóveis elétricos são impulsionados pela força oriunda de uma bateria de íons de lítio. Esse é o esquema mais comum. A tecnologia dos motores já está quase 100% desenvolvida e o problema da autonomia limitada a poucos quilômetros, também já foi praticamente solucionado.

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Colapso >> O imbróglio agora se concentra em algumas equações ainda não destrinchadas nesse contexto. O peso do conjunto é uma delas. Uma bateria para um SUV elétrico de tamanho médio, por exemplo, pesa entre 550 e 600 kg! O valor é absurdamente alto e está diretamente ligado ao consumo de energia. Outra preocupação é a sobrecarga na rede elétrica de uma cidade ou até de um país. Você já imaginou o impacto de alguns milhares de veículos elétricos ligados em tomadas num lugar sem infraestrutura como o Brasil? Pois é… a presença dos automóveis elétricos poderá, a médio prazo, gerar transtornos pra muita gente.

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Possibilidades >> Diante dessa problemática, a indústria automotiva tem procurado desenvolver alternativas às já tradicionais baterias de íons de lítio. As chamadas “Fuel Cells” (ou células de combustível) utilizam o hidrogênio líquido que, por sua vez, gera energia dentro do próprio veículo para alimentar o motor elétrico que vai mover as rodas. A vantagem desse sistema é a rapidez do reabastecimento, que dura o mesmo tempo que a reposição de um tanque de gasolina ou álcool num veículo compacto, ou seja, cerca de 3 a 5 minutos.

Bico de abastecimento de hidrogênio líquido: tempo para completar o tanque é o mesmo que o de um carro comum movido a gasolina

Bico de abastecimento de hidrogênio líquido: tempo para completar o tanque é o mesmo que o de um carro comum movido a gasolina

Aonde abastecer? >> Já as limitações dão-se desde a inexistência de postos de combustível que disponibilizem hidrogênio líquido (raros até em países de 1º mundo, como o Japão, Alemanha e Estados Unidos), ao valor dispendioso da produção das células de combustível, já que até esse instante elas são feitas em baixíssima escala.

Bateria de íons de lítio pesa, em média, entre 550 e 600 kg

Bateria de íons de lítio pesa, em média, entre 550 e 600 kg

Outras obstruções >> A confusão não fica por aí. A matéria-prima fundamental para a construção das ´fuel cells´ é a platina, um metal caríssimo. Além disso, o contato da platina com o carbono (outro componente das pilhas) culmina num detalhe técnico também custoso: muitas partículas de platina não conseguem se manter na superfície e perdem rapidamente a sua funcionalidade.

Esquema de motorização elétrica com célula de combustível num modelo da Audi, marca pertencente ao grupo Volkswagen

Esquema de motorização elétrica com célula de combustível num modelo da Audi, marca pertencente ao grupo Volkswagen

Evolução >> A boa notícia é que a ineficácia nesse processo químico poderá ser resolvida, já que cientistas da Universidade de Stanford, juntamente com engenheiros da alemã Volkswagen, acabaram de desenvolver um novíssimo sistema chamado de “Atomic Layer Deposition” (do inglês, deposição de camada atômica). Segundo a famosa universidade, a descoberta poderá triplicar a eficiência energética das pilhas de combustível, já que os estudiosos conseguiram fixar os átomos de platina na superfície do carbono.

Fred Flinstone, o cara mais politicamente correto do mundo quando o assunto é não poluir o meio ambiente

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Processo caro >> A nova tecnologia certamente reduzirá os custos de produção das ´fuel cells´, além de torná-las mais eficazes na entrega de energia e também mais duráveis do que as pilhas atuais. O objetivo das ´fuel cells´ é a fantástica produção de eletricidade a bordo do próprio carro (ou avião, ou navio, ou trem…), detalhe que poderá revolucionar – e finalmente viabilizar de uma vez por todas – os veículos elétricos. Mas…, infelizmente, há mais uma questão: a quantidade de energia elétrica que se gasta para produzir hidrogênio líquido é brutal. E isso não pode deixar de ser relevado, pois causa impacto no preço final tanto das pilhas de hidrogênio, quanto no próprio combustível.

Conceito espetacular de mobilidade: a bicicleta é 100% silenciosa, não polui, dá pra guardar em qualquer lugar, tem baixíssimo custo de manutenção e ainda faz bem ao coração!

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O poder do sol >> No frigir dos ovos, os tipos de mobilidade que, de fato, ajudam 100% ao meio ambiente são a simplista bicicleta e o inusitado carro do Fred Flintstone, que funciona com a força das próprias pernas. Solução pra tudo isso? Só quando o mundo começar a enxergar a óbvia, excepcional e abundante energia solar… (Fotos: divulgação Volkswagen/Stanford/Hanna-Barbera/Speedvagen)

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