18 / 08 / 2011

Peugeot 3008: charme francês com alma alemã

Ele foi lançado oficialmente pela Peugeot aqui no Brasil no mês de outubro de 2010 e completará um ano, provavelmente, vendendo três vezes mais do que no início da exposição.

Veículo de charme indiscutível, o “3008” é fabricado em Sochaux, na França e chegou aqui para atuar num posicionamento de mercado em confronto direto com alguns SUVs já conhecidos, como Mitsubishi ASX, GM Captiva, Kia Sportage, Hyundai iX35 e Toyota RAV4, por exemplo. Com apenas duas versões de acabamento (Allure, vendida por cerca de R$ 81.000) e Griffe (topo de linha, R$ 89.000), o 3008 possui a característica mais marcante que um carro dessa marca pode ter, que é um ajuste de suspensão invejavelmente bem acertado. Como trunfo extra, esse projeto foi finalizado em parceria com a alemã BMM, o que gerou um equipamento dotado de uma unidade motriz muitíssimo interessante. Ele vem com um motor 1.6 com injeção direta de gasolina, auxiliado por um turbocompressor de alta pressão, o que resulta num veículo de vigor bem interessante, mesmo em se tratando de mobilidade urbana com foco em atendimento numa demanda familiar.

Interior bem planejado – O crossover 3008 teve o desenho interno inspirado em cockpit´s aeronáuticos. Geralmente as inspirações têm os seus limites barrados na funcionalidade, mas, nesse caso, a ´viagem´ correu com rédeas soltas. Com uma ergonomia bem trabalhada (coisa que não é ponto forte nos carros da Peugeot, mas que no 3008 chega num bom resultado), a interação entre o motorista e passageiros com os comandos do veículo é adequada e confortável. Acima da alavanca de câmbio e dos comandos do sistema de som há uma seqüência de 7 charmosos botões que mais lembram um painel de aviação dos anos 1950. Eis aí um acerto de bom gosto entre a beleza de uma criação ´retrô´ com a essência funcional de uma peça. Os botões são bonitos e fáceis de se usar. Aliás, todo o painel é divertido, bem explicado e de leitura agradável.

Quanto aos porta-trecos, tudo nele é tamanho GG. As bolsas fixas (nas laterais das portas) são grandes e o console central é profundo e também muito amplo, comportando com folga uma garrafa d´água de 1,5 L além de diversos objetos. Para a turma que vai sentada nos assentos de trás, há redinhas (porta-revistas) no fundo dos bancos dianteiros, porta-trecos diversos e acesso ao porta-malas (de 512 litros, expansíveis a 1.604 com os bancos abaixados). No total, contando com porta-luvas, lugar para guardar CDs, moedas e objetos em geral, a empresa diz (nos dados técnicos) que há 50 litros de espaço somente para pequenos objetos. Bom para mamães com bebês pequenos ou para quem gosta de praticar esportes diversos, fazer compras, etc. No porta-malas, uma comodidade: há um sistema que oferece três níveis diferentes da profundidade do compartimento, graças a uma prateleira móvel. Na versão mais cara, os bancos podem vir em couro e o teto pode ser translúcido com uma área envidraçada de quase 5,5 m².

O que há de bom nesse carro?

O acabamento do Peugeot 3008 é de ótima qualidade, pois o carro é o mesmo revendido no mercado europeu, com índice de exigência bem maior que o do (conformado) público nacional. Além disso, o pacote tecnológico embarcado é de última linha: ele tem freios (a disco nas 4 rodas) com sistema ABS (+ auxiliar), controle de estabilidade e tração e um monte de frescurinhas que agradam, como sensor de obstáculo, acendimento automático de faróis, “piloto automático”, sistema de som de ótima qualidade (com porta USB estrategicamente escondida embaixo do apoio de cotovelos) e mais um monte de mimos que doam conforto.

A meu ver, dois pontos merecem destaque positivo nesse carro: o primeiro é o (ótimo) e silencioso motor. Desenvolvido pela BMW este propulsor possui (exatos) 1.598 cm³ de cilindrada. Auxiliado por um turbo de alta pressão, ele entrega ao condutor o máximo de 156 cv de potência aos 6.000 rpm e o torque é de 24 kgf.m (já a partir de 1.400 rpm). O que isso quer dizer? Que ele se diferencia da concorrência justamente pela esperteza do casamento do motor com o câmbio automático seqüencial de 6 marchas. Muito agradável a dirigibilidade dele em trânsito urbano e surpreendente o resultado em estrada, tanto em consumo quanto em desempenho.

Outra maravilha desse projeto, aí sim, uma coisa tipicamente bem feita pela Peugeot em todos os seus carros, é o ajuste de suspensão. Bem macio, o 3008 é uma delícia de se andar devagarzinho e (para a alegria dos que gostam de arriscar mais naquela curva acentuada…) ele é bem fácil de ser domado. Há um extra na suspensão chamado de “Dynamic Rolling Control”, um sistema que regula eletrônica e automaticamente a oscilação da carroceria, tudo graças a um terceiro amortecedor traseiro com função hidráulica que serve simplesmente para balancear o trabalho entre os dois amortecedores principais da parte de trás do carro. O modo possibilita uma ousadia ao guiar que poucos SUVs ou crossovers desse porte conseguem ter com tanta segurança.

Veredicto

Com estilo muito peculiar e design do tipo que chama muita atenção, o 3008 tem um pacote bem interessante de modernidade tecnológica, desenho radical, rodar silencioso, motor vigoroso e amplo espaço interno. Sinceramente: gostei das trocas de marchas espertas e de mimos que ajudam no dia a dia, como som de ótima qualidade, facilidade dos comandos, estabilidade de carro pequeno e ergonomia que não cansa. O freio de mão é acionado por uma pequena tecla no console que é liberada automaticamente quando o carro é colocado em movimento. O mesmo possui outra função, que segura o carro freado em rampas íngremes por dois segundos, tempo exato de se tirar o pé do freio e levá-lo ao acelerador sem deixar que a carroceria dê aquela descida desagradável. No geral, ótimo automóvel. (Fábio Amorim)

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