24 / 02 / 2012

S10: mudando para não sair de onde está

Esqueça tudo o que você conhece, viu ou dirigiu e passe a compreender melhor o novo universo das picapes no Brasil. Antigamente, esse tipo de utilitário era feito única e exclusivamente para uso no trabalho. Seja urbano ou rural, picapes serviam somente para carregar cargas ou, quando os bons tempos permitiam, ser usadas em dias de ´corso´ nos saudosos Carnavais.

De uns anos pra cá, a conversa mudou, pois esse tipo de veículo passou a ser utilizado como carro de uso diário. Por conta disso e da exigência de um público cada dia mais ávido por conforto, as picapes brasileiras tornaram-se verdadeiros automóveis gigantes de luxo, e o melhor de tudo: continuam com suas capacidades de carga e reboque cada dia melhores, além de ostentarem robustez de burro velho.

Nova S-10: mudança geral

A S10, picape média da Chevrolet, foi lançada no Brasil há 17 anos e, incrivelmente, nos últimos 16 ela é líder disparada no segmento. Em 2011, por exemplo, foram comercializadas (exatas) 42.818 unidades da S10, contra 33.259 da Toyota Hilux e 22.140 unidades da Mitsubishi L200. A Ford Ranger, que atingiu apenas 14.988 unidades, deverá reagir com a sua nova geração que chega em breve ao Brasil, também completamente reformulada.

Falando nisso, só de olhar, percebe-se que a S10 mudou geral. De antigo (mas que também recebeu melhorias) só se manteve o motor 2.4 FlexPower, que, apesar de perder 1 cv de potência, ganhou em torque, o que é mais relevante quando se puxa ou carrega cargas pesadas. O projeto, desenvolvido quase que completamente no Brasil, consumiu cerca de R$ 800 milhões em investimentos, 303 protótipos e 3 milhões de quilômetros de testes antes de aprovar e pôr na linha de produção. A nova S10 será feita no Brasil, Argentina e Tailândia, obviamente para abastecer aos mercados vizinhos a estes países. Por aqui o sucesso desse carro (principalmente na região centro oeste) é tão grande que quase metade da frota circulante de picapes no Brasil é composta de Chevrolet S10.

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Cardápio

O veículo virá com três opções de cabines: simples, estendida e dupla. Nesse instante há 12 versões disponíveis (entre duas e quatro portas, motor a diesel ou flex e tipos de tração, 4X2 ou 4X4), mas a fábrica afirma que até o mês de agosto serão 21 tipos possíveis de nova S10 no mercado brasileiro, ou seja, com modelos que comecem espartanos até a “top” com câmbio automático e até sistema anti-capotamento. “LS, LT e LTZ” são as designações dos tipos de acabamento em ordem crescente de luxo e dois são os motores: 2.4 flex (etanol ou gasolina) agora com 147 cv e torque (elevado) de 24,1 kgf.m. (Essa unidade recebeu cárter de alumínio, novos sistemas de admissão e exaustão e gerenciamento eletrônico mais sofisticado). A caixa (manual) acoplada à este motor é fornecida pela Hitachi. Já o propulsor a diesel (projeto da italiana VM Motori e aqui no Brasil fabricado pela MWM), esbanja força: são 180 cv de potência, 2.800 cm³ de cilindrada e torque (o maior do mercado) de 47,9 kgf.m. (A Nissan Frontier é até mais potente com 190 cv, mas perde em torque: 45,8 kgf.m). Esse último motor comporta, dependendo da configuração, duas caixas: uma manual (de 5 marchas) ou uma automática (de 6 velocidades) com engrenagens inteligentes que se acoplam no sistema de embreagens duplas: enquanto a 1ª marcha está em uso, a 2ª já está pronta para entrar em atividade e assim sucessivamente em combinações pares e ímpares.

Show de bola

Produto vastamente estudado, bem feito e, de fato, novo, a S10 muito provavelmente continuará na liderança e deve até tomar alguns nacos das fatias da VW Amarok e Toyota Hilux. Bem acabada, a nova S10 tem tudo e algo mais que o uso na cidade ou campo podem exigir. Sua capacidade de carga varia entre 1,2 e 1,3 toneladas e as áreas das três variações de caçambas são muito generosas.

Por dentro, tudo o que você quiser (e puder) pagar: ar-condicionado comum (ou digital), direção hidráulica, freios com sistema ABS (auxiliados por EBD + controle de freios em curva – CBC), sistema eletrônico de controle de estabilidade, controle de tração, pacote amplo de Airbags, ótimo espaço na cabine, opção de couro nos bancos, som de boa qualidade, isolamento acústico primoroso, rigidez torcional respeitável e suspensões prontas para encarar coisas que talvez você, como usuário de cidade, nem imagine que uma picape possa fazer, como adentrar e sair de cursos d´água com o capô totalmente submerso ou subir rampas com 60° de inclinação com bravura.

Por dentro, a posição de dirigir e os comandos são extremamente fáceis e muito acessíveis e com ergonomia bem trabalhada. Há muito espaço para pernas, braços e cabeça, mesmo para a turma que vai no banco de trás. São 26 porta-objetos no total e um nível de conforto, como eu disse no início, difícil de acreditar que seja oriundo de uma picape. Os preços variam de R$ 58.868 a R$ 135.200, mas, são tantas as opções e versões que sugiro, vá conhecer melhor e, se for o caso, veja a que mais se adequa ao seu perfil.

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