08 / 10 / 2018

PSA também anuncia que não fará mais motores a diesel

O vilão da vez agora é o motor movido a óleo diesel. Aqui no Brasil – por causa de uma legislação retrógrada e de uma política inábil – nunca tivemos carros de passeio movidos a diesel. O melindre dita o seguinte: “somente ônibus, caminhões, picapes com carga útil superior a 1.000 kg e utilitários com tração 4X4 e marcha reduzida, podem utilizar motores desse tipo”. O VW Gol e o saudoso Fiat Palio, são apenas dois exemplos de carros fabricados no Brasil com motorização a diesel e exportados com muito sucesso para diversas partes do mundo.

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Quem polui mais? >> Várias motorizações a diesel são tão performáticas quanto uma unidade a gasolina, mais econômicas e, muitas vezes, poluem até menos. O problema é que, após o escândalo chamado ´Dieselgate´ (aonde carros da VW vendidos nos EUA foram flagrados com softwares adulterados para mascarar o nível de emissões), todo e qualquer motor a óleo diesel agora está na mira dos governos mundo afora como os piores vilões da natureza. Não é bem assim. Escrevi recentemente sobre esse mesmo assunto me referindo à decisão da Bentley de retirar de circulação o seu espetacular V8 Turbodiesel que equipa uma das versões do SUV Bentayga. E agora repito: aviões, navios, trens, ônibus e caminhões velhos (que rodam aos milhares no Brasil) e até os aparentemente inofensivos pequenos barcos de pesca, poluem muito mais do que um moderno Bentley.

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Mais um >> Agora foi a vez do Grupo PSA, que engloba as marcas Peugeot/Citroën/DS/Opel/Vauxhall, declarar, por intermédio do seu CEO Carlos Tavares, que também não investirá mais nesse tipo de motorização. O engraçado é que o executivo português até pouquíssimo tempo era uma das vozes mais reticentes em relação à ascensão dos carros elétricos e pregador da manutenção de tradicionais e eficazes tecnologias, como os motores a diesel…

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Dois lados >> As unidades a óleo diesel, definitivamente não são o ´mal maior´ da indústria. E é bom lembrar: os automóveis elétricos também não são os benfeitores do momento. Produzi-los também causa diversos impactos à natureza e reabastecê-los, idem. Suas enormes baterias de íons de lítio serão um problema de descarte daqui a poucos anos. É fácil perceber que essa questão, como quase tudo na vida, tem dois lados, mas somente um está sendo destacado.

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Incoerência >> A PSA disse que deixará de investir na tecnologia dos motores a óleo diesel “porque há muita incerteza sobre o futuro desse tipo de propulsão”. De fato, tem havido um declínio nas vendas dos carros de passeio a diesel principalmente na Europa, mas as comercializações dos híbridos e dos veículos puramente elétricos – nem de longe – estão a crescer no ritmo que a indústria automotiva gostaria. Não dá pra entender muito bem essa postura, já que a PSA lançou, há apenas um ano, o seu moderníssimo motor a diesel 1.5 BlueHDi, já 100% adequado à exigente norma Euro6D-Temp. (Fotos: divulgação PSA) 

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