16 / 02 / 2017

2017: Renault começa bem com o Captur

Se há uma temporada para apresentação de novos produtos, a Renault abriu-a e o fez bem com o Captur. É mais um SAV para frequentar a fatia de maior demanda, atenção e perspectiva de crescimento no mercado, e bem coloca suas credenciais: maiores medidas em tamanho, entre-eixos, porta-malas, espaço para motorista e passageiros, distância livre do solo. Na prática significa dizer que tem uso confortável, posição elevada de condução, sensação de proteção, fechando o pacote das demandas e desejos dos consumidores. Desconsidere o termo usado no masculino pois na realidade o mercado segue os ditames – ou dependendo do relacionamento, as ordens… – do gosto feminino. Hoje as mulheres compram diretamente 50% e influenciam muito na metade restante. Em paralelo, impacta pelo estilo, a volta do design francês e noção mais sutil, encanta pelo detalhamento construtivo a partir da qualidade da pintura, do atrativo visual de dois tons. A velha moda do “saia-e-blusa” inicia novo ciclo, banindo o inexplicável preto e o insosso prata. A descrição exibe ser um divisor de águas, um retorno ao francesismo, pois os demais produtos da marca no Brasil são de origem Dacia, sua segunda marca.

Renault Captur: elegante, confortável, seguro

Renault Captur: elegante, confortável, seguro

DAQUI >> O Captur brasileiro difere do europeu, pois aproveita a plataforma jogo duro do Logan, Sandero, Duster e Oroch, de boa fama, sem intimidades com oficina ou manutenção cara. Do original usa poucas partes e todo o trabalho de adequação da carroceria à base de maiores dimensões, foi feita no Brasil. Boa execução, é utilizado na Rússia, aonde vendido como Kaptur e 80% de preferências para a versão 4X4, possível por técnica, mas pouco provável por demanda no mercado latino-americano, sua base de atuação. Projeto também será aplicado na Índia. Dois motores: 1.6 SCe, 16 válvulas, 120 cv, atualizado, feito no Paraná e 2.0, 148 cv, importado. Inicialmente, dois câmbios: manual de 5 velocidades para o 1.6 e automático com apenas 4 marchas no motor 2.0. Próximo trimestre, opção de transmissão CVT, operando como automática no 1.6. Internamente é perceptível o cuidado construtivo, a ótima ergonomia em especial para o condutor, plásticos harmônicos em superfícies e encaixes, bancos planejados, opção entre tecido e aplicações em couro. Preocupação com interfaceamento por sistema multimídia aprimorado, capaz de cumprir funções com apenas 4 toques, dispensando a ajuda de Nerds, indispensáveis em algumas marcas. Muito bem definido em preços, entre o Duster, a quem não deseja canibalizar, os outros novos concorrentes, New Tucson, Hyundai Creta, líder Honda HR-V, futuro WR-V… O Duster foi o quarto colocado em vendas no ano passado. A Renault não vê concorrência doméstica entre o Duster básico, com motor 1.6 e transmissão manual vendido a R$ 67 mil, mas projeta contração de vendas no modelo superior, o Duster automático, a R$ 84 mil, tentando focá-lo para vendas a frotistas e clientes hábeis aos descontos legais por deficiência física, um enorme e pouco explorado mercado. Duas versões: Zen, 1.6 com câmbio manual a R$ 78,900 + R$ 1.990 para multimídia e câmera de ré. Outro opcional, pintura ´biton´, outros R$ 1400. E Intense, topo, 2.0 automático a R$ 88.890 + R$ 1.500 para estofamento com aplicações de couro. Campanha publicitária se inicia antes do lançamento em 11 de março. Até lá, test-drive nos revendedores e pré-encomendas. Para vendas iniciais, garantia de 5 anos no produto, a maior no segmento.

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RODA-A-RODA

POLÍTICA – Aliança Renault e Nissan não mudará sua estrutura de capital se o governo francês não se retirar da sociedade, onde tem 20% das ações. Estado tem voto nas decisões estratégicas. Disputa antiga e anúncio parece balão de ensaio às vésperas da eleição presidencial.

DIESELGATE – Nos acertos finais de indenização aos clientes compradores de VW e Audi com motor diesel 3.0 com emissões acima do limite legal, uma parcela de surpresa: Bosch aderiu à conta com US$ 327,5 milhões.

PORQUÊ – A companhia desenvolveu o componente capaz de enganar a avaliação oficial de emissões. Não assume a responsabilidade, apenas colabora…

BALAIO DE GATOS – Questão externa quase resolvida, com pagamento de multas, indenizações, recompra de centenas de milhares de automóveis nos EUA… Mas há, ainda, grande complicação interna.

EM CASA – Ferdinand Piech, ex-presidente do Conselho e dito maior acionista individual, declarou à auditoria para investigações internas, ter avisado a membros do conselho diretor, o ex-CEO Martin Winterkorn, a Wolfgang Porsche, seu primo e acionista e ao governo da Baixa Saxônia (também acionista), a respeito dos problemas, meses antes do escândalo. O aviso não foi considerado. O Conselho analisa processar Piech.

SURPRESA – Industriais de veículos, autopeças e representantes laborais foram surpreendidos em reunião ministerial na Argentina. Pensavam ser busca de sugestões para implementar vendas, e se surpreenderam: era o esboço do “Plano Um Milhão”, produção pretendida para 2023. Em 2016 a Argentina fez metade desse número.

PROJETO – Busca atrair US$ 5 bilhões de investimentos em novos produtos, visando aumentar o índice de nacionalização a 35% e firmar compromissos com trabalhadores para reduzir o elevado absenteísmo: as faltas chegam a 10% nas quartas-feiras. A estes oferecerá desenvolvimento e capacitação.

TRABALHO – Muita costura para nivelar entendimentos com tantos setores. Aparentemente não crê em rápida recuperação da produção veicular brasileira.

MAIS UM – Em sua política de fazer movimento, inventar séries especiais, descontos, vendas diretas, mágicas aritméticas e matemáticas para facilitar aquisição de seus produtos, a GM prepara versão do Onix hatch.

GT – Não será um pseudo aventureiro do asfalto, mais alto e com pretensões de mostrar ausentes capacidades de valentia, mas variável no sentido de ter promessas visuais de esportividade. Chegará no segundo trimestre.

KWID – Cruza de hatch com SUV, o Renault Kwid prometido para o final do semestre, apareceu rodando em Córdoba, onde está a fábrica da empresa na Argentina. Site Autoblog registrou.

LEVE-LIGEIRO – É para ser degrau de entrada da marca, como foi o Clio, e de preço assemelhado. Carro leve, surpreendentes 800 kg e motor 1.0 de 3 cilindros produzindo 80 cv. Diretor da Renault disse-me: dada a relação entre o baixo peso e a potência, é surpreendentemente ágil e econômico.

Renault Kwid: ainda em testes

Renault Kwid: ainda em testes

SEGURANÇA – Questão sobre o carro está sobre os reforços aplicados à estrutura para a versão sul-americana a ser construída no Paraná. Examinado, o modelo indiano foi reprovado em teste de impacto.

NEGÓCIO – Fábrica da Nissan iniciou exportar à Argentina, segundo maior mercado da América Latina. Enviou mais de duas mil unidades dos modelos March e Versa. Antes mandou quantidades menores aos vizinhos Uruguai, Paraguai, Bolívia, Peru, Colômbia, Chile e Costa Rica.

RECONSTRUÇÃO – Ducati reestrutura e amplia rede de revendedores. Quer dobrar a 12 em 2017, iniciando com segunda revenda em São Paulo, inauguração no Rio de Janeiro, Ribeirão Preto, Florianópolis, Porto Alegre e outros pontos no Nordeste.

TROCA – BMW substituiu o modelo F 700 GS pelo 800, de vendas iniciadas. Mudanças cosméticas, escapamento em aço inox; tampas laterais, refletores no garfo frontal, novo grafismo nos instrumentos. 

BMW F 800: nova alemã no mercado

BMW F 800: nova alemã no mercado

IMPORTANTE – Modos de condução Rain & Road, ajuda no comportamento do ABS, controle automático de estabilidade, acelerador sem cabo adota sinal de rádio. É uma big trail, hábil a andar no asfalto e fora dele. Preço de automóvel: R$ 50.900. Remanescentes F 700 à venda por preços promocionais.

BIKE – Na corrida por veículos autônomos, Google vai na frente com bicicleta capaz de se equilibrar e andar, entender e respeitar movimento e sinalização de trânsito, transportar pessoas sem habilidade a pedalá-las. Revolução para deslocamento em cidades. Lançamento em 1º de abril. É verdade!

MERCADO – Para abordar o mercado dos EUA, Grupo Interbrilho (de produtos de estética automotiva) criou marca específica: Roadshine: shampoo, cêras, limpa vidros e linha para lavagem a seco. Já exporta para Ásia e América Latina.

MUDANÇA – Gustavo Schmidt, vice-presidente comercial da Renault, voltou à Volkswagen para cargo idêntico. Fez ótimo e reconhecido trabalho para os franceses, integrando o time para crescer mais de 50% em seis anos no cargo em tempos de recessão e divisão do mercado.

TIRA TEIMA – Time de corridas da alemã BMW agregou brasileiro Augusto Farfus para dividir condução de M6 GT3 numa das mais emblemáticas provas de resistência, as 24 Horas de Nurburgring. Vencer no Inferno Verde (longo circuito fica em floresta preservada) agrega valor. Faltam 100 dias para a prova.

GENTE – Gilberto Vardânega, executivo da Volvo Bus, foco. Deixa operação de vendas de ônibus rodoviários América Latina pelo mercado nacional. OOOO Wolfgang Berhard, CEO em veículos comerciais da Mercedes-Benz, saiu. Alega razões pessoais. Mercado não entendeu, pois o via como sucessor de Dieter Zetsche, turco, presidente do Conselho, aposentado e cumprindo contrato de levar Mercedes à liderança em automóveis Premium. Zetsche acumulará a função. Presidente da Mercedes no Brasil Philipp Schiemer, um dos cotados para a substituição. OOOO Joseph Kaban, designer, ex-Volkswagen, mudança. Vai para a BMW para conduzir o desenho da linha principal da marca. Súbita e inexplicada saída de Karim Habib, libanês, da chefia do design da marca, promoveu mudança geral no setor. OOOO Jorge Portugal, argentino, vice presidente de marketing e vendas da VW, saiu. Também por razões pessoais. OOOO Bruno Hohmann, diretor de marketing da Renault Brasil, promoção. CEO da Renault Holanda. Carreira sólida. OOOO (Os artigos assinados por colaboradores são de inteira responsabilidade dos seus autores. A editoria geral desse veículo, necessariamente, não concorda com as opiniões aqui expressas. Texto desta coluna: Roberto Nasser)

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