20 / 07 / 2017

Como aumentar a participação num mercado suicidamente competitivo?

No intuito de conquistar clientes com menor faixa etária, a Mercedes-Benz melhorou seus automóveis, injetando-lhes ainda mais um pouco de esportividade. Criou as novas linhas ´Classe A e B´ e incrementou a produção de utilitários esportivos com a família ´G´. Uma olhada às projeções de mercado viu um dado cintilar: em 2025 imagina-se a venda de 2.800.000 picapes no mundo! Outra, no orçamento, mostrou enorme custo para desenvolver um destes veículos, ao qual a marca quase nunca se dedicara. A solução estava próxima em existente acordo comercial com a Nissan para a área de automóveis. Fizeram sinergia, e a picape Nissan, a ser feita na Espanha e na Argentina, atingiria os maiores mercados: Europa, Austrália, África do Sul e América Latina. EUA, desejado, é incógnita ao gostar de coisas volumosas, embora neste ano volte a fazer o médio Ford Ranger. A operação para as Américas do Sul e Latina teria outro desenho. Num patamar a Nissan retiraria a produção de picapes do Brasil, transferindo-a para a Argentina e cedendo (pela associada Renault) espaço em suas instalações em Córdoba, na antiga fábrica do Jeep. Nele a marca japonesa construiria cerca, escritório e galpões para produzir e administrar as picapes. A Renault também quis uma, no caso, em nível acima da já conhecida Oroch. A operação tripartite foi planejada com a Nissan produzindo a picape média, aqui chamada de Frontier. Para diferenciá-las, Renault fez pequenas intervenções personalizando o seu produto: grade e grupo óptico. Mecânica comum, com o recente motor Nissan a diesel de 4 cilindros, 2.3 litros, 163 cv de potência e 45,8 kgf.m de torque, tração nas 4 rodas, transmissões manual e automática. Motor sem mudanças, exceto na aparência, modificando a tampa acústica, com emblema de cada marca.

Mercedes Classe X, a picape Premium

Mercedes Classe X, a picape Premium

No caso da Mercedes-Benz, não integrante da Aliança Renault-Nissan, operação um pouco mais complexa, pois a marca alemã não desejava apenas mais um produto, mas deixar sua marca e o rótulo de Premium. E sobre a Frontier, fez amplas modificações. Em design personalizou-o mudando os paralamas, grupo óptico e grade. Atrás, embutiu as lanternas traseiras na carroceria. Trabalho no interior das portas para ganhar 7 cm na largura, e um tratamento especialíssimo em detalhes e qualidade. Na mecânica, aumentou as bitolas dianteira e traseira, aproximando as rodas do limite da curvatura dos paralamas. Dinamicamente, reduziu a aspereza no rodar, tornou-o mais estável e fácil de fazer curvas. Na estética colheu resultado com identificação esportiva. Mecânica com opção de dois motores: Nissan L4 e Mercedes V6 turbo, 254 cv, 62 kgf.m de torque, câmbio automático de 7 velocidades e tração nas quatro rodas. Desenvolveu novo comando para a alavanca de marchas. Suspensão dianteira por triângulos superpostos e traseira com eixo rígido e multiancoragem com molas helicoidais. Operação ajustável por botão. Capacidade de carga pouco acima de 1 tonelada, altura livre do solo em 20 cm e conjunto apto a cruzar rios com até 64 cm de profundidade. Foi apresentado nesta semana na África do Sul. Vendas na Europa começam em novembro. Na África do Sul e Austrália, somente no início de 2018. Argentina e Brasil, apresentação no Salão do Automóvel em outubro de 2018 e vendas no início de 2019. Para os mercados europeus e australiano, três versões com nomes auto-indicativos: Pure (pelado); Progressive (em ascensão); Power (eu tenho a força!) Aplicações desde o trabalho áspero, até o grande uso de ser automóvel Mercedes-Benz com porta-malas gigante. Quer apresentá-lo como a primeira picape Premium. Preço? Apenas por citar: versão de entrada custará 43 mil Euros.

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A pimenta da Volkswagen >> Empresa alemã criou oportunidade para estender as versões “Pepper” conhecidas no Fox para as linhas do compacto Up! e da picape Saveiro. Integra política de reavivar a marca em busca das vendas perdidas e criar evento para assinalar a volta de Gustavo Schmidt, agora como vice-presidente para área comercial, passo interno, em especial para a rede de revendedores. Série chamada especial é a versão de produção normal, rotulada de 2018, e composta pela agregação combinada de equipamentos de conforto, decoração e implementação do ´infodivertimento´ e conectividade. No Fox, motor de nova geração EA211 1.6 de 4 cilindros, 120 cv e transmissão de seis marchas. Oferecem performance agradável, aceleração da imobilidade aos 100 km/h em menos de 10 segundos, velocidade final em torno de 190 km/h, consumo contido. Na Saveiro, o motor antigo EA111, 1.6 e 104 cv. Transmissão de cinco velocidades manual ou automatizada iMotion. Na sempre surpreendente versão TSi de três cilindros, 1.0, 105 cv, turbo, flex.

Pepper incrementa linhas Fox, Saveiro e Up!

Pepper incrementa linhas Fox, Saveiro e Up!

Equipamentos >> A ideia de compor espírito esportivo parte da cor vermelha e se estende à branca, preta e prata combinando com itens diferenciativos de acordo com as versões. Em todas, os espelhos retrovisores externos são pintados em cor diversa da carroceria e nas brancas, prata e vermelhas o teto poder vir em preto. Para instigar a competição com a líder Fiat Strada, a Saveiro se diferencia pela aplicação de câmera de ré. Pepper há nas versões de cabines estendida ou dupla. O Up! se diferencia dos demais. Achou seu lugar na relação de produtos da VW – é o menor, mas não é o mais barato, nem tem missão de ser o mais vendido e, por tal liberdade, oferece composição mais rica, desde a direção com assistência elétrica, sinal de modernidade tecnológica, volante multifuncional, retrovisores externos com sinaleiras (o da direita muda o ângulo quando engatada a marcha a ré), sensor de estacionamento traseiro (faltou a câmera de ré), sensores de chuva e luminosidade. Melhor equipado é o Fox, com controle eletrônico de estabilidade, monitoramento da pressão dos pneus, assistência de partida em rampa, luzes de curva, câmera traseira, duas opções de multimídia: infodiversão Composition Media e Discover Media, mais completo. Em todos a identificação é feita por adesivo plástico. Quem interpretou o nome da versão como ilustrativa a aumento de performance, vai se frustar.

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Hoje a indústria do automóvel poupa seus Reais no aumento de performance, optando por investir em conectividade. A cada dia o automóvel roda para o fim, e o fim incluirá os fabricantes. Em seu lugar, a Apple, a Google, o pessoal da tecnologia, pois automóvel será apenas invólucro com rodas de tecnologia da conectividade.

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RODA-A-RODA

MAIS UM – Jaguar ampliou linha utilitária esportiva (SUV). Após o F-Pace, fez o E-Pace, menor, sobre base do Discovery Sport, novo motor próprio Ingenium 2.0, gasolina, turbo, 249 ou 300 cv ou diesel de 150, 180 ou 240 cv, suspensão independente, freios a disco nas 4 rodas, harmonia de sistemas eletrônicos de conforto e segurança.

DÚVIDA – Diz a Jaguar, ideal para a família moderna, com enorme quantidade de exigências atuais de infordiversão. Quatro pontos de carga 12V e cinco saídas USB? Isto é família ou reunião de nerds?

CONTEÚDO – Adota os conjuntos de cuidados eletrônicos disponíveis em outros Jaguar e Land Rover, como tela de 25 cm, projeção de dados no para brisas, sistema de leitura de fluxo de trânsito, frenagem automática. Pretendem-no o mais vendido, mas custará acima de Audi Q3 e BMW X1. Ou seja, aqui não fará vendas elevadas.

MAIS – Nome Pace, em inglês Ritmo, resgata slogan da marca nos EUA: Grace, Pace, Space. Ante as linhas, semelhantes a um cupê anabolizado, é de ser visto não como utilitário esportivo, mas esportivo utilitário.

MAIS OUTRO – Ao lançamento, efeito para impressionar: um salto com giro completo no ar. Está em https://youtu.be/9yatAJVA_4E. Fãs do agente 007 no filme “O homem da pistola de ouro” já viram proeza pioneira com AMC Hornet: https://www.youtube.com/watch?v=fzCIbhLUUA0 Foi muito mais difícil fazer com um projeto antigo.

QUESTÃO – Se vender bem responderá a questão: até que ponto os resultados de uma pesquisa influenciam em compras? Pelo último levantamento da JD Powels, a Jaguar é uma das piores marcas em defeitos.

MAIS – Início da produção do Nissan Kicks em Resende (RJ), exigiu implantar segundo turno. Presidente da empresa, Marco Silva, deu início ao novo ciclo e foi conhecer/cumprimentar os 600 novos funcionários. Ficaram satisfeitos. Governo (?) do Estado do Rio, também. Há tempos não se ouvem notícias boas por lá.

ASSISTÊNCIA – Ato raro, Ford disponibilizou a mecânicos de oficinas não-autorizadas, livro digital feito em conjunto com o Senai: Sistemas de Injeção Eletrônica dos Motores Ford. São 250 páginas com informações de eletricidade e eletrônica básicas. Para motores Rocam montados no KA, Fiesta, Courier e EcoSport.

MELHOR E PIOR – Mesma empresa JD Power (acima citada) fez levantamento de qualidade no mercado dos EUA, perguntando a 80 mil compradores sobre os primeiros meses de uso de carros Zero Km. Listou as indicações de defeitos para uma centena de veículos.

MELHORES – Kia é a marca com menos problemas. Trinta e um compradores a cada cem precisaram dos serviços. Colada, Genesis, marca de luxo da Hyundai. Após, Porsche. Hyundai, controladora da Kia, ficou em oitava posição.

PIORES – Fiat, Jaguar e Volvo. Land Rover, mesma produção da Jaguar, duas posições acima como menos pior.

QUESTÃO – Qual é a linha invisível a costurar as últimas colocações? São todas marcas em nova fase, compradas por empresas de outros continentes, outra formação e postura gerencial, seguramente superiores às gestões anteriores.

II – Caso Fiat mais curioso porquanto sua marca de picapes, a RAM, está em quinta posição de qualidade, acima de BMW, Nissan e VW.

SERÁ? – A má posição da Fiat nos EUA, impeditiva ao crescimento, deve exigir horas de trabalho a Stefan Ketter, presidente da FCA na América Latina, mas especialista maior em construções e manufatura. Foi quem mudou e aperfeiçoou métodos e processos no Brasil, perceptíveis no Argo – outra categoria dentre os Fiat. Problema pode acelerar a sua transferência.

VILEGIATURA – Vais ao norte da Itália nas férias? Gostas de automóveis antigos? Em agosto Slow Drive, agência especializada em aluguel de carros de época, oferece vantagens para aproveitar melhor. Mais? info@slowdrive.it

HISTÓRIA – Ford Escort XR3, comemora 35 anos de lançamento na Europa. Aqui chegou um ano após, marcando o início da “europeização” da filial brasileira. XR indicava a 3ª proposta de Experimental Research, pesquisa experimental. Motor 1.6 a álcool com apenas 82,9 cv, suspensão rebaixada, defletor dianteiro, aerofólio traseiro, bancos esportivos, teto solar com persiana interna, era sonho de consumo. Durou até 2003. (Os artigos assinados por colaboradores são de inteira responsabilidade dos seus autores. A editoria geral desse veículo, necessariamente, não concorda com as opiniões aqui expressas. Texto desta coluna: Roberto Nasser)

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