26 / 10 / 2017

Cronos, o sedã do Fiat Argo

A Fiat se aproxima do fechamento de ciclo para renovação de produtos. Medida corajosa. No caso, o veículo para tal movimento era o conhecido até a manhã do dia 20/10 (última sexta feira), como Projeto X6S. Logo em seguida, às 14h divulgou-se o nome oficial: Cronos. Coisa mítica, o mais novo dos Titãs, filho de Urano, o céu estrelado, como Gaia, a Terra. É o Deus do Tempo, capaz de reger todos os destinos… O Cronos quer integrar o processo de modernização da marca, quase fechando o ciclo de mudanças iniciado pela picape Toro, pelo compacto Mobi e pelo hatch Argo.

Ainda disfarçado, o Fiat Cronos (foto: autoblog.com.ar)

Ainda disfarçado, o Fiat Cronos (foto: autoblog.com.ar)

A Fiat também desenvolve um arremedo de jipe pequeno, ausente em seu leque de produtos. Essa produção será na fábrica de Ferreyra, Córdoba, Argentina, após investimento de US$ 500 milhões para atualizá-la. O Cronos terá concorrente bem próximo de suas medidas e características, o Virtus da Volkswagen.

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Mico na Autoclasica! >> Dra Sandra Arroyo Salgado, juíza federal de San Isidro, beiradas de Buenos Aires, em cujo hipódromo se realiza a ´Autoclasica´ (maior dos encontros antigomobilistas da América Latina), ao encerrar do evento, mandou apreender e recolher uma de suas maiores atrações: um Cisitalia falso! Questão básica: o automóvel exposto pelo proprietário não era um autêntico modelo 202 MM de 1947, direcionado a competir na ´Mille Miglia´, mas uma réplica construída na Argentina por um certo ´Coto´, instalado na cidade de Mercedes. A juíza determinou aos oficiais de justiça a retirada e remoção para depósito público onde permanecerá até a sentença.

Mico antigomobilístico: Juíza apreende carro falso na Autoclasica, essa réplica do Cisitalia exibida como original

Mico antigomobilístico: Juíza apreende carro falso na Autoclasica, essa réplica do Cisitalia exibida como original

O “crime” >> Constitui crime expor réplica de um carro clássico? Claro que não! O bom site argentino Autoblog explica: ante a estrutura legal do país vizinho, de conceito assemelhado no Brasil, o crime de falsificação ocorre quando o proprietário não informa claramente tratar-se de recriação de modelo antigo. Caracterizando a situação, o expositor informou, fazendo constar nos cartazes e do material sobre o evento, tratar-se de exemplar construído na Itália há mais de meio século. Mas o fato concreto é: a réplica foi montada poucos meses antes na localidade conhecida como a Capital Nacional do Salame. O processo deverá aclarar responsabilidades pela divulgação de informação falsa. Os organizadores da Autoclasica, o ´Club de Automobiles Clasicos de Argentina´ e o patrocinador Motul, fabricante de lubrificantes, patrocinaram um cartaz do evento com os dados irreais. O poster exibia o selo da FIVA (Federação Internacional de Veículos Antigos), certificando a nível internacional a originalidade dos veículos exibidos no evento. Os jurados de prestígio da FIVA aprovaram essa falsificação? Ou o selo foi usado sem autorização? Outro ponto a ser apurado pela justiça. Na Autoclasica é comum exibir e vender réplicas de automóveis históricos, como bem o faz a ´Pur Sang´, construtora de réplicas de Bugatti e Alfa Romeo. E no evento há prêmio especial para este tipo de veículos. Chamam-no ´Artesanias Argentinas´ e dedica-se às melhores recreações do período. É um prêmio que excita os jurados de tal forma que, muitas vezes, avança contra o gosto do público. Este ano, por exemplo, eles recompensaram um carro esporte chamado ´Rubén García´ (com motor Fiat 128 dos anos 1970). Na cerimônia os jurados esqueceram de premiar ou mencionar o carro que atraiu mais audiências para o show: uma Ferrari de Fórmula 1, ex-Michael Schumacher, exposto pela família Perez Companc. Um modelo original, claro, e não uma réplica. Mas para serve uma réplica? Com os preços elevados dos carros clássicos, esses artesanatos permitem experimentar as sensações de condução transmitidas pelos veículos vintage. É um passatempo divertido. Não é um crime. O que a Lei proíbe, no entanto, é que esses modelos sejam vendidos ou exibidos com informações falsas sobre sua origem ou sobre o fabricante. Para ser claro: é bom vender um Ruben Garcia 2017, mas ilegal seria vendê-lo dizendo que García é a sétima encarnação de Enzo Ferrari. O uso de marcas registradas também é penalizado sem a devida permissão do licenciado. Cisitalia era uma famosa marca italiana da primeira metade do século XX. Seus projetos são considerados entre os mais puros e atraentes dessa época. Além disso, brilhava nas competições, com pilotos como Tazio Nuvolari e Piero Taruffi. Cisitalia foi fundada pelo empresário italiano Piero Dusio, que terminou casualmente seus dias na Argentina. Os direitos da marca são de sua filha Carolina Dusio e do seu marido, Alberto Díaz Lima, que nos últimos anos vêm trabalhando no relançamento da Cisitalia internacionalmente. (Texto baseado na pesquisa e divulgação de Carlos Cristófalo no site autoblog.com.ar)

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RODA-A-RODA

NOVA ESCRITA – Quem pensava em fracasso quando a chinesa Geely adquiriu a sueca Volvo, rememorando o ocorrido com sua única concorrente local, a SAAB (ao ser assumida pela General Motors), surpreendeu-se. A marca cresce em vendas e apresentou o primeiro produto de nova marca de luxo performático, o Polestar 1.

COMO? – Cupê 2+2, o Polestar 1 desenvolve 592 cv híbridos e se direciona com precisão sobre o alemão BMW i8 e o norte-americano Tesla Model S, este último o elétrico queridinho do momento. Contra a maior promessa da Tesla, o Model 3, haverá o Polestar 2. Serão construídos na China sobre plataforma modular da Volvo.

Polestar, o Volvo chinês para mudar conceitos

Polestar, o Volvo chinês para mudar conceitos

REFINAMENTO – A nobre fibra de carbono reduziu 230 kg em relação ao modelo Volvo S90, usuário da mesma plataforma. Muita eletrônica, como o sistema de leitura da pista à frente para ajustar a suspensão (apresentado há 4 anos na geração anterior dos Mercedes Classe S), democratizando a tecnologia. Poderosos freios Akebono com discos de 400 mm e pinças com seis pistões.

OUTRO NÍVEL – Produção contida em 500 unidades anuais. Sistema comercial corajoso, reedita o aplicado ao automóvel mais exclusivo e, à sua época, imbatível em refinamento construtivo, o mítico Bugatti Royale: não terá revendedores, com o comprador especificando e personalizando o produto. Leasing por dois ou três anos, sem entrada e juros contidos. Aos conservadores, de negócios olho no olho, rede com 80 concessionários no mundo civilizado.

NOVO TEMPO – Quer mudar a imagem do carro chinês. Será refinado e caro: R$ 550 mil por lá!

ESPERADO – Honda anunciou importar o Civic Si. Produção canadense, versão conhecida por oferecer confiável performance, enzimatizada por nova plataforma e motor turbo. Carroceria cupê, motor 1.500 cm³, turbo com injeção direta, duplo comando de válvulas com abertura variável, 208 cv e 26,5 kgf.m de torque, 70% disponível a 2.300 rpm.

FÓRMULA – Nova geração da plataforma inclui aços mais leves, obtendo redução de peso e aumento na resistência à torção, uma alegria a quem busca esportividade. No segundo semestre do próximo ano e a preço ainda não estabelecido.

AVANÇO – FCA – Fiat Chrysler Automobiles fez parceria com a PUC Minas no primeiro Centro de Simulação de Dinâmica Veicular na América Latina. Dentro do Campus da Universidade, em Belo Horizonte, o ´SIMCenter´ reúne o que há de mais avançado em tecnologia mundial para simulação e pesquisas focando segurança de veículos, pessoas e vias.

NEGÓCIO – Em iniciativa de manter, conquistar e encantar clientes, a Mercedes-Benz dá outro passo sedimentando a campanha “Mercedeiros de Verdade”, atraindo usuários dos caminhões da marca. Aplica a crescente conectividade com motoristas, frotistas, gestores com um programa de fidelidade e recompensas.

COMO? – Cada Real gasto em peças e serviços, gera pontuação para compensar pagamentos de peças ou veículos. Levando o automóvel para a concessionária, o motorista também ganhará pontos para produtos, bens e serviços ligados à marca.

OCASIÃO – Se tens recursos sem receio de expô-los, e gosta de automóveis performáticos e quase exclusivos, estás na onda de mudar do país, a incorporadora BRG quer te dar um presente: um dos 14 exemplares do Aston Martin Vulcan cujo valor, por construção, performance e marketing é de US$ 2,3 milhões, uns R$ 7,3 milhões!

RAIO X Automóvel competente em rendimento com seus 570 cv nascidos de 7.000 cm³ em motor V12 e construção de materiais leves como fibra de carbono. O Vulcan é homologado para andar apenas em circuitos fechados.

CONDIÇÃO – Para tê-lo em sua garagem ou em ´courtyard´ próximo ao circuito de Homestead (a 55 km de Miami), basta apenas adquirir a cobertura triplex na Aston Martin Residences, edifício projetado pela marca inglesa e a incorporadora ´G & G Business´, de origem brasileira. Empreendimento tem marina e outras facilidades, visitável por agendamento pelo site www.beyondrealtygroup.com

ELÉTRICO – Nissan aderiu à temporada da Fórmula E, de carros elétricos. Objetivo óbvio é expor sua postura de ´Mobilidade Inteligente´, síntese do seu caminho na eletrificação dos seus veículos.

REGISTRO – Dia 20 do mês passado, marcaram-se 90 anos do início de produção do Ford Modelo A, carinhosamente dito Fordinho ou Fordeco. Missão inglória: suceder ao mítico ´Modelo T´, o responsável por dar rodas aos EUA, primeiro automóvel mundial. O “A” foi a consequência da cabeça dura de Henry Ford, insistindo nas limitações do T, em apavorante queda de vendas.

Ford A, Fordinho, Fordeco… chega aos 90 anos. É o retrato do antigomobilismo brasileiro

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CORRIDA – Foi desenvolvido sem planejamento. A grande fábrica do Rouge ficou fechada seis meses entre o fim do “T” e o surgimento do “A” numa corrida alucinada. Lançado às vésperas do Natal, juntou congeladas filas nas vitrines dos revendedores.

PADRÃO – Foi uma das melhores máquinas construídas no século passado, confiável como o revólver Smith and Wesson, a máquina de datilografia Remington, o isqueiro Zippo. Foi produzido entre o final de 1927 e 1931, em mais de 4 milhões de unidades. O Modelo T superou 15 milhões! É o retrato do automóvel antigo no Brasil. (Os artigos assinados por colaboradores são de inteira responsabilidade dos seus autores. A editoria geral desse veículo, necessariamente, não concorda com as opiniões aqui expressas. Texto desta coluna: Roberto Nasser)

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