29 / 03 / 2018

Mercedes se renova e implanta o “Indústria 4.0”

 

Maior fabricante de caminhões no Brasil e, consequentemente escrituradora dos maiores prejuízos durante o inesquecível Governo Dilma, a Mercedes-Benz apostou no futuro e aplicou R$ 770 milhões para um salto de qualidade, implantando os processos ´Indústria 4.0´ em São Bernardo do Campo (SP) e na fábrica de cabines em Juiz de Fora (MG). Indústria 4.0 é novo patamar de evolução marcado pelo diálogo entre máquinas. Reduzindo intervenção de mão de obra, empregando carrinhos comandados eletronicamente para levar peças à linha de montagem. Sem papéis, todas as operações são coordenadas por computadores, tablets e celulares. O sistema que envolve as vendas, possibilita que o caminhão seja montado e individualizado, atendendo as especificações solicitadas pelo comprador. O processo envolve parte física com implantação de linhas elétricas subterrâneas para fazer os carrinhos receberem, transportarem e entregarem as peças nas mãos dos operários, mudança de equipamentos visando menor esforço físico e ganho de tempo, treinamento de fornecedores e colaboradores. Na prática o ganho de produtividade inicial é de 15% em tempo e espaço, aspecto crítico para essa fábrica da Mercedes-Benz nascida numa fazenda e hoje cercada de casas, vilas e bairros vedando a sua expansão.

Indústria 4.0 chegou ao Brasil pela Mercedes-Benz

Indústria 4.0 chegou ao Brasil pela Mercedes-Benz

A ´hiperconectividade´ (também chamada com intimidade de Dataparafuso por monitorar todas as partes e sua aplicação) eleva o padrão de qualidade, pois ao acompanhar cada operação durante a construção, eventuais falhas são corrigidas na hora e local e o ganho da qualidade dispensa a inspeção e os testes ao final da linha de produção. Outro item reduz estoques a 48 horas, liberando espaços industriais. Primeiro passo, o Indústria 4.0 será estendido aos outros setores da fábrica. A Mercedes não é montadora, mas fábrica verdadeira, produzindo os órgãos vitais de seus caminhões: motores, câmbios, eixos e chassis. Como o sistema sabe quais os passos para agregar os órgãos mecânicos, equipamentos e acessórios para atender à encomenda dos clientes, a linha de montagem pode receber todos os modelos de caminhões, reduzindo a área necessária à produção. O sistema é uma revolução industrial e sua implantação pela Mercedes motivará todas as outras marcas e montadoras à atualização.

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Honda importa novo CR-V >> Dos importados de maior sucesso, o Honda CR-V volta ao país, trazido dos EUA. A quinta geração do bem sucedido SUV tem tração nas quatro rodas sob demanda e mecânica liderada pelo motor 1.5 de 4 cilindros, 190 cv e 24,5 kgf.m de torque. O câmbio é CVT acionado por polias variáveis. Nem parece utilizar a plataforma do Civic, ao oferecer enorme espaço aos passageiros, mantendo uma das características marcantes de seus veículos utilitários, a grande capacidade interna de combinar arranjos e criar espaços para levar objetos compridos. É veículo eminentemente familiar. Conectividade incrementada. Honda Brasil maneja doce problema: sua capacidade produtiva está plena, e a empresa espera crescimento do mercado para justificar a operação da fábrica inaugurada e fechada em Itirapina (SP). Enquanto não puder dar salto de vendas, utilizará de expedientes como fazer importações para manter atratividade aos salões dos revendedores, como o faz com os importados Accord e, agora, o CR-V. Carro completo, sem opcionais, por R$ 179.900.

Honda CR-V de 5ª geração chega por R$ 179.900

Honda CR-V de 5ª geração chega por R$ 179.900

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FCA informa: sai Ketter, entra Filosa >> FCA indicou troca de comando para as operações na América Latina. Sai Stefan Ketter, engenheiro, brasileiro, apesar do nome, e assume Antonio Filosa, engenheiro, 44, italiano. O engenheiro Ketter ganhou rótulo no Brasil: antipático, mas competente. Fez ótimo serviço na FCA: implantou a marca Jeep; construiu fábrica em meio a canavial pernambucano; geriu o desenvolvimento dos três veículos nela produzidos, os Jeeps Renegade e Compass, e o Fiat Toro, os dois últimos líderes de venda em seu segmento. Acima disto, não divulgado, mudou o conceito de qualidade produtiva dos Fiat. Seus novos produtos, Argo e Cronos, estão mais para carros alemães pelo ótimo padrão construtivo. Tanta competência não fez amigos, ao contrário, o anúncio de sua saída motivou muitos drinques na noite de sexta e churrascos no sábado. O engº Ketter mudou toda a diretoria, resumiu quadros, aumentou a carga de serviços sobre os remanescentes, incrementou as avaliações tecnológicas em detrimento das humanas; meteu-se até nos programas de lançamento de produtos, e ofereceu aos concorrentes uma conclusão prática ao inovar à apresentação do Mobi: digital media influencers, gente escrevendo em blogs sem ser jornalista ou especializado em automóveis em detrimento da real imprensa especializada. Retorno pífio desta mídia. Volta à sua posição de Vice Presidente mundial para manufatura.

Nada a ver >> Engenheiro pelo Instituto Politécnico de Milão e Gestor pela mineira Fundação Dom Cabral, Antonio Filosa é napolitano, com larga e ascendente carreira na marca: foi o executivo principal da fábrica Fiat em Betim (MG), recordista mundial ao produzir 3.300 carros/dia sob o mesmo teto; e pinçado a frequentar logística, compras, fornecedores, marketing, gestão de produtos, tornou-se presidente da Fiat Argentina. Dele espera-se olhar ameno para a fábrica de Betim (desprezada na gestão Ketter); para as relações com os colaboradores (também descompromissadas); com a imprensa especializada, vista pelo antecessor como elefantes a caminho do desaparecimento… Tem característica positiva ao meio: gosta de dirigir automóveis novos e antigos. Para lembrar, a Fiat apenas se descolou do fim da fila do mercado quando teve mandatário apreciador de produto. Gostar de automóveis conduzindo fábrica de automóveis é fator fundamental ao êxito.

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Volks faz 65 anos de Brasil >> Situação invulgar, crescimento sustentado, recuperando 2º lugar em vendas e querendo voltar à liderança, a Volkswagen comemorou 65 anos no Brasil. Não considerou como data base o início da montagem dos produtos da marca pela representante Brasmotor, mas de sua presença direta com pequena operação artesanal de montar sedans (Fuscas) e Kombis em primária linha à rua do Manifesto, bairro do Ipiranga em São Paulo. Após, construção da fábrica em São Bernardo do Campo; Taubaté; fábrica de motores em São Carlos, todos em São Paulo e beiradas de Curitiba (PR), comemora muitas histórias e a fabricação de 23 milhões de unidades representadas pelo mais novo de seus produtos, o Virtus. Curiosamente não apresentou série especial para marcar a data.

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RODA-A-RODA

EX-CARETA – Medo de extinguir-se pelo engessamento de suas propostas e envelhecimento de sua clientela, a luxuosa norte-americana Cadillac se reinventou com veículos, competições e engenharia.

PODEROSA – Última novidade, motor V8/4.0, dois turbos e aproximados 550 cv de potência. Tudo novo, bloco em alumínio, diâmetro x curso 86 mm x 90,2 mm, seis mancais fixos, 9,8:1 de compressão, exigência de gasolina superior. Emprega os dutos de escapamento correndo pelo berço do “V”, solução antiga, assim como os turbos, ideia da Mercedes-Benz.

INDEPENDÊNCIA – Coisas da GM: é motor exclusivo para a divisão. A Chevrolet continuará com V8 de geração anterior. O engenho equipará o cupê CT6 V-Sport, e ante a poderosa cavalaria, Cadillac adotou o axioma da Pirelli que diz que “Potência não é nada sem controle”, aplicando tração nas 4 rodas para dirigibilidade.

Motor Cadillac: V8/4.0, dois turbos e 550 cv

Motor Cadillac: V8/4.0, dois turbos e 550 cv

MAIS UMA – Fábrica da Volvo em Ghent, Bélgica, iniciou produzir automóveis Lynk&Co, nova marca de volume da Zhejlang Geely. As três empresas pertencem à holding chinesa proprietária da Volvo. A ideia é criar nova identidade com cara europeia e não chinesa.

A FILA ANDA… – Com ou sem as regras do Rota 2030, o nunca terminado projeto do Governo Federal regrando as indústrias automobilística e de autopeças, e o contraponto de redução de tributos relativamente ao ganho em tecnologia, BMW resolveu colocar o X3 em montagem em sua fábrica em Araquari (SC).

INVESTIMENTO – Quer presença no segmento de maior crescimento. A linha X representa 60% da montagem catarinense. Duas versões: motor 4 cilindros/2.0, turbo, 252 hp e 6 cilindros/3.0, 360 hp.

TIGUAN – Muito bom, porém, mal explorado pela VW, reaparece no mercado em versão nova e opções de duas distâncias entre-eixos. Terá configurações para cinco e sete passageiros; motores 1.4 e 2.0, turbo com injeção de combustível. Câmbio automático de 6 velocidades, tração em duas e quatro rodas. Preços não ajustados, mas aposte entre R$ 110 mil e R$ 140 mil. Vem do México e será lançado no Brasil brevemente.

Tiguan: agora com duas opções de distância entre-eixos

Tiguan: agora com duas opções de distância entre-eixos

SINAL – No projeto da marca em ter 5 SUVs no mercado sul-americano, exibiu o conceito do Projeto Tarek, também chamado Tharu. Em fugaz apresentação na China foi apresentado como Concept Powerful SUV. Motor de 4 cilindros TSi.

MAIS – Será produzido na Argentina em 2020, sobre a jeitosa plataforma MQB em versão maior ante as utilizadas no Brasil para Polo e Virtus, base para o T-Cross, próximo produto da VW no país.

TORO 2019 – Líder no segmento, a picape Toro antecipou linha com carimbo do próximo ano. Agregou versões equipamentos como o desembaçador do vidro traseiro em todas, implementou acessórios.

O QUÊ? Das novidades, motor 1.8 Endurance Flex, transmissão automática de 6 velocidades e Volcano 2.4, Flex com câmbio automático de 9 velocidades. Preços entre R$ 91 mil para Endurance 1.8 Flex AT6 e R$ 143 mil a Volcano diesel, automática, 4X4.

DE VOLTA – Effa, antes importadora de veículos montados na China, assumiu feição industrial: monta em Manaus quatro modelos de picapes, cabines simples e dupla com motores 1.0/53 cv e 1.3 com 78 cv, transportando entre carga e passageiros, 940 kg. Preços entre R$ 40 mil e R$ 57 mil. Não indicou qual o fornecedor das peças e conjuntos.

ECOLOGIA – Fábrica Jeep em Pernambuco é a primeira do tipo ´Aterro Zero´. Na prática, material sobrante da produção é reciclado, sem danos ao meio ambiente. Agrupa resíduos próprios e do parque de fornecedores em seu entorno.

PESQUISA – Atividade da empresa aproveita os retalhos das chapas estampadas para gerar peças menores, e transforma isopor em canetas e capas para CDs. Segredo da gestão do lixo é evitar produzi-lo. No período reciclou 1.500 toneladas de papelão, desse jeito, 300 mil árvores deixaram de ser cortadas.

CULTURA – Cinco anos após fechar o Walter P Chrysler Museum em Auburn Hills, perto de Detroit (EUA), a Chrysler resolveu transformar o prédio onde construía o agora descontinuado Viper em local para 85 exemplares de sua coleção de 400 veículos históricos. Será espaço de convivência e bem estar.

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O futuro chegou, de novo!

Em 1953 a Mercedes-Benz acatou a sugestão de um representante tornado sócio numa operação brasileira, e decidiu por instalar-se industrialmente no país. Adquiriu uma fazendinha em São Bernardo do Campo (SP), local de agropecuária e cerâmicas onde, nas vizinhanças, haviam duas esforçadas iniciativas privadas, operando há alguns anos. Uma, pioneira no local, a Brasmotor montava produtos Chrysler e Volkswagen. Outra, a Varam Motores, iniciou montar Nash (marca dos EUA) e depois Fiat. Decisão importante, sem saber avalizaria os planos de implantação da indústria automobilística no Brasil, a iniciar-se ainda naquele 1953, e com projeto tocado pelo governo JK a partir de 1956. O fato de a Mercedes, marca internacionalmente sólida, história imbricada com a do automóvel, diferia das outras operações, de origem norte-americana, mas em marcha lenta.

Registro histórico: 1953 a Mercedes inicia implantar-se no Brasil

Registro histórico: 1953 a Mercedes inicia implantar-se no Brasil

Quando o Brasil montou Road Shows internacionais para expor ideias, facilidades atraindo as marcas ao Brasil, a Mercedes era uma das grandes e havia chegado ao Brasil nas beiradas do novo ciclo, ao contrário das outras, exceto a incógnita e confusa Willys-Overland, que viria a liderar o mercado e desaparecer em uma década. A Mercedes-Benz foi a grande referência para o projeto brasileiro de mobilidade. A implantação do sistema Indústria 4.0, de hiperconectividade, uso intensivo de dados, arquivos em nuvem, responsável por ganhos de produtividade, evolução profissional da mão de obra, racionalidade, exibe, novamente, o pioneirismo e o aval da Mercedes ao futuro. Implantando o sistema exigirá ser seguida pelos fornecedores e concorrentes. Em indústria automobilística brasileira a Mercedes-Benz serviu de avalista para implantação e motivadora à ida ao futuro. Onde já chegou. .OOOO (Os artigos assinados por colaboradores desse site são de inteira responsabilidade dos seus autores. A editoria geral desse veículo, necessariamente, não concorda com todas as opiniões aqui expressas. Texto desta coluna tem autoria de Roberto Nasser)

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