13 / 07 / 2017

Mobi cresce em vendas

Lançamentos de produtos usualmente provocam compras iniciais turbinadas pela emoção e após isso, baixam à linha de normalidade, estabelecendo-se previsão de consumo pelo mercado. O advérbio ´usualmente´ é bem válido e, por presunção, ocorrerá com o Renault Kwid a ser apresentado no início de agosto. Mas há exceções. O inusual ocorre com o concorrente Fiat Mobi. Não se localiza com precisão a causa de sua baixa demanda inicial, mas, com certeza, resulta da soma de dois fatores. Primeiro, o tíbio retorno da imprensa especializada, mídia gratuita e primeiro passo em lançamento de veículos foi pequeno, e em alguns textos estavam contaminados pela má apresentação. Segundo: no evento de lançamento a nova direção da FCA insistiu em juntar públicos não miscíveis: jornalistas especializados no tema e novo segmento dos ditos ´blogueiros´. Este, dentro de sua especialidade superficial, nos canais sociais cobriu o lançamento exibindo fotos do tipo “Eu e o Mobi”, sem maiores informações quanto ao produto. Como arremate, na festa de lançamento viu-se o desconhecido, arrepios e abrasões, e pela aparente nova óptica suprimiu-se explanação técnica, exigência básica da primeira categoria, óbvia desnecessidade à segunda.

Mobi: reação do mercado fez liderar vendas do seu segmento em junho

Mobi: reação do mercado fez liderar vendas do seu segmento em junho

Outro componente foi lançá-lo com o motor Fire 1.0 de 4 cilindros e 75 cv em última evolução, no fim de linha. Os dois eventos não instigaram os consumidores. Em junho de 2016 o Mobi foi comprado em 2.822 unidades. Logo a empresa aplicou como opção o novo motor Firefly de 3 cilindros, também 1.0 com 77 cv e 10,9 kgf.m de torque. A medida soprou ar favorável sobre o carro, fazendo crescer a demanda, sedimentando a consciência de ser adequado ao uso citatino, bem disposto e, até o momento, um dos mais econômicos do país. Mais recente incremento é a combinação do sistema automatizador antes chamado Dualogic e agora GSR com o motor tricilíndrico e aletas de acionamento das marchas apostas sob o volante. O sistema inclui adjutório para identificar pressão no acelerador para ultrapassagens, busca marcha inferior e mantém o motor em alta rotação. No pacote manteve a função Creeping, permitindo manobrar sem necessidade de premer o acelerador. Identifica a versão como Drive GSR, e o conforto da desnecessidade de múltiplos acionamento do pedal da embreagem no trânsito. Há versão com caixa de acionamento manual de 5 velocidades e motor Fire. Na ascensão, um ano depois registrou mês passado 6.562 vendas no varejo, superando o VW Up! até então a referência num segmento muito particular do mercado, o dos subcompactos. Aparentemente houve lento entender do significado do produto, a consciência de não ser um Uno mais barato, apesar do nome bem achado para exprimir Mobilidade Urbana. É para andar nas cidades, parar nas vagas menores, cumprir agenda de solteiros ou famílias pequenas e com filhos de pouca altura, porta-malas para necessidades especificamente urbanas. O motor de projeto novo é bem disposto, de baixo consumo, mas andar na estrada é concessão, não é vocação.

RODA-A-RODA

MAIS UMA – Utilitários esportivos deixaram de ser mera opção de carroceria transformando-se em moda de larga duração. Ao momento representam nos maiores mercados 1/4 das vendas totais no segmento de veículos leves.

TODAS – Aston Martin, Bentley, Jaguar, Lamborghini, Rolls-Royce, ícones de luxo e performance, características muito distantes do utilitarismo, aderiram à oportunidade de mercado.

ALIÁS… – Lamborghini prepara o Urus, variação de crossover para ser modelo de sua maior produção. Fábrica nova, negociada, incentivada, entende mercado do novo produto ser igual à soma dos demais modelos da marca ora em produção.

BALA – Ao lançamento da Ferrari GTC4 Lusso com tração nas 4 rodas, perguntaram a Sergio Marchionne (CEO da FCA e da Ferrari), quando teria um SUV na família. Respondeu teatralmente: – “Só se atirarem em mim!”

Ferrari, muito provavelmente, terá um SUV

Ferrari, muito provavelmente, terá um SUV

MUDANÇA – Melhor comprar o colete balístico. A revista inglesa ´Car´ revelou código de novo produto da Ferrari: F16X. Um SUV. Divergiu da óbvia transformação do SUV Maserati Levante ou o Alfa Stelvio numa Ferrari, embora as plataformas e mecânica sejam idênticas. Quer se diferenciar por linhas e pelo exclusivo motor V12.

RAZÃO – Teria jeito de cupê com ampla porta traseira em vidro. Porquê da mudança? Simples. Ferrari abriu capital, admitiu sócios, cobradores por mais lucros. É o segmento com maior potencial de crescimento na atualidade.

DESAFIO – Land Rover vive provocação séria: retomar a produção do Defender, seu modelo icônico, para trabalho, descontinuado em 2015 após seis décadas. Empresa adotou linha de ser cada vez mais automóvel e menos jipe.

DIFICULDADE – Problema maior é fugir da tentação de maquiar o velho Defender e, ao mesmo tempo provocar lembranças de compradores de mais idade e compatibilizar com exigências de novos clientes, mantendo a diferença de comportamento para não concorrer com a linha atual.

OPÇÃO – Fiat atravessa situação assemelhada: como mudar a picape Strada, líder em seu segmento, sem que o preço atinja a sua também picape Toro, mais vendida do país? Protótipos têm sido construídos para encontrar caminho viável e de custos contidos. Um deles utiliza a parte frontal do Mobi.

SEGURANÇA – Governo argentino quer pacote de segurança em todos os veículos produzidos no país. Reunião no palácio governamental acertou data de 1º de janeiro de 2018 para entrar em vigor. Dentre os equipamentos, o controle de estabilidade ESP ou ESC.

BARREIRA – Empresas solicitam adiamento. No Brasil, com quem faz intenso troca-troca, tal obrigação vale apenas a partir de 2020. O lobby dos fabricantes daqui é mais efetivo e rápido.

AÇÃO – Convenceu autoridades de trânsito a ignorar recomendação da Organização Mundial de Saúde para ser adotado em todos os veículos produzidos mundialmente.

SOLUÇÃO – Ministério da Saúde deveria fazer carga pela adoção, para reduzir acidentes, danos físicos, e enormes custos bancados para recuperar feridos.

CASE – Campanha de lançamento do Renault Kwid baliza sucesso: mais de 40 mil acessos diretos ao site da empresa; reservas com sinal superaram desconhecida meta do fabricante; e há as feitas diretamente nos revendedores. Problema positivo, encomendas superam capacidade de produção. Dividirá mercado com VW Up!, Fiat Mobi, Kia Picanto, Chery QQ. 

Kwid: baixo peso e muitas encomendas

Kwid: baixo peso e muitas encomendas

FÓRMULA – Para diferenciar-se em consumo reduzido e maior rendimento, projeto focou na redução de peso. No emagrecimento voltou-se à solução tradicional francesa, três parafusos por roda. Aqui Dauphines, Gordinis e Ford Corcel, projetos Renault o utilizavam. E mono limpador pantográfico do para-brisas.

PIMENTA – Volkswagen apresentará versão Pepper em todas as suas linhas. Baseia-se em homônimo Fox. Pintados em branco, preto ou vermelho, realçam acessórios. Não há alteração mecânica. Marca a volta de Gustavo Schmidt à empresa, agora como vice-presidente comercial.

CAMINHO – Há cinco anos quem imaginaria o Brasil comprando auto-peças ou conjuntos completos da Índia? Pois o inimaginável ganhou forma: preço baixo permite BMW importar a moto 300R desmontada; Renault traz partes para o novo Kwid; motor 1.5 de 3 cilindros da Ford vem para equipar o novo Ford EcoSport.

VELHOS – Resolução 661/17 do Contran define procedimentos para fazer baixa cadastral em veículos. Com mais de 10 anos de não licenciamento e 25 de produção serão classificados como ´Frota desatualizada´.

SITUAÇÃO – Proprietário sem tomar providências verá seu veículo baixado e sem registro no Renavam, ou seja, proibido de circular. Se o fizer, infração gravíssima, sete pontos a mais e R$ 293,47 a menos na Carteira.

CAIXA – Medida tem caráter administrativo interno e agrada aos Estados. Sensível percentual da frota deixa de recolher taxas de manutenção de cadastro, exceto MG onde o IPVA é cobrado sobre frota antiga, rodando à margem das regras.

TAM – Passados 10 anos do acidente com o Airbus da TAM saindo da pista em Congonhas (SP) e explodindo em chamas matando 199 pessoas, não há sentença condenatória, apenas exceções pontuais.

AÉREO – Com a definição de cobrar malas despachadas, consequência nos aviões têm sido aumento de malinhas e sacolas como bagagem de mão, tornando insuficientes os bagageiros de bordo.

SOLUÇÕES? – Reorganize ou ocupe os primeiros lugares nas filas de embarque. Reclame. Transporte concedido nunca traz vantagem ao consumidor/contribuinte. Só a concedente e concessionário, vide as prisões dos operadores de ônibus no Rio de Janeiro.

APLICAÇÃO – Após disparada de preço dos veículos colecionáveis no mercado dos EUA, resultados chegaram à Europa. No Índice de Investimentos de Luxo Knight Frank especializado em ativos de valor, valorizou 457%. Imóveis, somente 20%.

VISÃO – Andrew Shirley, consultor da empresa, ante visão distorcida de ganhos com ferros velhos, aconselha cautelas: 1º) Nem todo modelo terá a mesma valorização; 2º) Há custos significativos de armazenagem, proteção e seguros; 3º) Compre o que gostará de possuir; 4º) Veja o ganho de valor como um bônus.

GENTE – Marco Antônio Lage, diretor da FCA, um dos primeiros a chegar na Fiat, resignou. Incompatibilidade entre o formulador de políticas de comunicação social, relações corporativas, sustentabilidade, e membro superior com visão teuto-cartesiana. Mercado perde o melhor profissional do ramo. Hábil a voos maiores, tipo Vale, Petrobras, Governo Temer. João Ciaco, diretor de publicidade, temporariamente duplicará suas funções. OOOO (Os artigos assinados por colaboradores são de inteira responsabilidade dos seus autores. A editoria geral desse veículo, necessariamente, não concorda com as opiniões aqui expressas. Texto desta coluna: Roberto Nasser)

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