28 / 09 / 2017

Novo Polo, o arrasa-quarteirão

 

A Volkswagen formalizou o lançamento do Polo, um hatch compacto, até então de processo de fatiadas apresentações à imprensa. A exibição oficial marcou o início das vendas: 100 unidades compradas no site da empresa, logo após o lançamento. Não é mais um, e sua postura mercadológica tem a pretensão de ser grande cunha para fender o mercado, hoje inexplicavelmente liderado pelo Chevrolet Ônix, seguido pelo Hyundai HB20. Frequenta-o, também, o recém lançado Fiat Argo.

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Atualizado, o Polo é automóvel bem feito, e relativamente à bem referenciada versão anterior, é mais baixo, tem maiores a distância entre-eixos, o porta malas e o espaço interno. Além disto, como se utiliza da mesma e moderna plataforma já aplicada ao Golf e Audis A e Q3, embute importante pacote de segurança com base eletrônica e atrativos de infodiversão. Mais recente em projeto, supera os concorrentes em construção, atualização tecnológica e estilo. No caso, tem a liderança de José Carlos Pavone, jovem líder do design da VW. Neste quesito concorre frontalmente com o Argo, único com o mesmo tipo de inspiração construtiva. Em termos de qualidade e processos, o Argo é, a grosso modo, uma visão de engenharia e métodos alemães. Nos traços houve a aposição de um largo friso em depressão, arrematado por ponta cromada. Uma flecha, rotulou Pavone. Por conteúdo, postura, vantagens assistenciais, preços, parece um concorrente devastador no sistema.

Polo: bem formulado, construído com refinamento

Polo: bem formulado, construído com refinamento

Outros pontos >> Por razões inexplicáveis, alguns órgãos de imprensa tem-no comparado à quarta geração do Polo. Inequivocamente foi produto marcante, promoveu grande mudança nas instalações físicas da fábrica Anchieta e, até então, o melhor Volkswagen já feito no país. O problema era o preço e o carro com o seu bom projeto, boa construção, invejável dirigibilidade, não o tinha competitivo e acabou se estiolando sem renovação. Aparentemente por ser nome com boas evocações, a Volkswagen o reutilizou, mas não há espaço para comparações. A tecnologia de projetar e construir automóveis avançou mais nas últimas duas décadas ante o século anterior. O Polo atual é incomensuravelmente superior em projeto, materiais, processos, construção (até as chapas de aço e as soldas são diferentes), tecnologia fundindo mecânica com informática, mão de obra. Outro aspecto a ser entendido é o fato de o Polo não ser apenas um produto com qualidades para concorrer e superar os atuais líderes do mercado, mas é a bandeira no grande mastro erguido pela Volkswagen para sinalizar o início de enorme mudança interna, na parte física, no aprimoramento da mão de obra, nos acordos de parceria para os próximos cinco anos, até na autonomia de David Powells, presidente. A autonomia conquistada permitiu substituir 11 dos 13 diretores anteriores, e o acaso na forma do escândalo Dieselgate (as emissões diesel superiores ao limite legal) fez demitir o ex-poderoso diretor comercial na matriz. Era a ele, surpreendentemente, a quem se reportava o líder da área no Brasil, diretamente, sobrepassando o presidente da empresa no Brasil. O curioso processo, manifestação de poder, deu no que deu: gente sem falar, ouvir ou ler em português, distanciamento da rede revendendora, visão torta sobre o mercado nacional e suas peculiaridades. Resultado de tal processo, ter perdido a liderança de décadas. Outro indicador de mudança está na soma de qualidade construtiva do produto e consideração de importância da segurança para influenciar o comprador. A VW mandou submeter o Polo às avaliações do LatinNCAP, instituto alemão em braço operando no Uruguai, aos testes de impacto para avaliar danos a motorista e passageiros. Teve a maior nota: 5 estrelas, para ambos os quesitos. Para consumidores preocupados com segurança é argumento de peso, em especial porque o líder, o Ônix foi humilhantemente reprovado.

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Quem e quanto? >> Quatro versões: simplesmente Polo com motor EA211 de 3 cilindros/1.000 cilindradas, 84 cv e 10,4 kgf.m de torque e câmbio manual 5 marchas (R$ 49.990); Polo MSi, motor 1.6 de 4 cilindros, 117 cv, 15,8 kgf.m de torque, cinco marchas manuais (R$ 54.990); Polo Comforline/Highline, 3 cilindros, turbo, injeção direta, 128 cv, 20,4 kgf.m, câmbio automático de seis marchas. Comfortline a R$ 65.190; Highline a R$ 69.190. Com opcionais arranha os R$ 74 mil. Interessado? Tente uma versão TSi (com turbo). É o grande diferencial, a linha separadora entre carrinho e automóvel.

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RODA-A-RODA

ALFA – Mesmo sem atingir os números de venda projetados com o sedã Giulia e o SUV Stelvio, a Alfa Romeo reformará sua linha de produtos até 2021. Começa no ano próximo com versão cupê. Quer concorrer com Audi A5 e BMW Série 4.

FICA – Outra decisão, manterá a produção artesanal, restrita aos esportivos C4 fechado e spyder, idem aos já provectos Mito e Giulietta, apenas substituídos por crossover. Também agregará sedã grande. Vinda e vendas no Brasil? Fora da agenda…

CAMINHO ? – PSA lançará versões totalmente elétricas do Peugeot 208 e do próximo DS3 Crossback em 2019. Anunciou a investidores. A novidade também se estenderá, em 2020, ao modelo 2008.

CRESCER – Lexus, marca de luxo da Toyota, em fase de fixação, amplia a rede de revendedores de 13 para 18 lojas e cria linha de financiamento com parcelas contidas e garantia de recompra ao final do processo. Arrancada incluiu inaugurar o ´Espaço Lexus´ no Shopping Cidade Jardim, um dos mais caros em São Paulo.

MUDOU – Ano passado, aproveitando oportunidade futura, Aliança Renault-Nissan assumiu o controle acionário da Mitsubishi Automóveis. Agora mudou o logotipo da operação, empregando apenas o nome das empresas.

Eu era assim…

Eu era assim…

…fiquei assim

…fiquei assim

MÚSICA – Ford encomendou pesquisa ao Spotify e à Universidade de New York para saber se a música no carro afeta o humor do motorista. Diz que sim. Temas tristes ou melancólicos são aditivos de energia com duração de até duas horas. Batida ritmica forte mais sensação de melancolia causam o resultado. Ouça a lista aqui https://open.spotify.com/user/fordeurope/playlist/7wDem20vUWwgKv7NaohGmF

MAIS – Bons resultados não inibem ações da Hyundai para expandir vendas. Viajando no sucesso do SUV Creta, fará versão Sport. Motor 2.0/166 cv, 20,5 kgf.m de torque, entre Pulse Plus 1.6 e Prestige 2.0. Deve chegar em novembro por uns R$ 97 mil.

FÓRMULA – Como sempre a palavra ´Sport´ é associada a arremates pretos, incluindo o couro do revestimento interior.

FORA – E iniciou exportar o Creta com motor 1.6, transmissões manual e automática. Agrega negócios com o HB20, já enviado ao Paraguai e Uruguai. Mercado externo é uma almofada anti-crises de produção.

VIVA – Chinesa Chery faz movimento para lembrar-se do presente. Campanha se denomina ´Cuidar não tem preço´, jogo de palavras para sugerir serviços baratos. Inicia com revisão gratuita de 30 itens em 30 minutos.

MAIS – Toyota anunciou investir R$ 1 bilhão para produzir o médio Yaris em sua fábrica de Sorocaba (SP), em um ano. Também aplicará R$ 600 milhões para ampliar a operação de motores na paulista Porto Feliz. Em tamanho o Yaris fica entre Etios e o Corolla.

MAIS UMA – Mercado mundial de utilitários elevou-se a 14 milhões de unidades/ano, e nele as picapes representam 2,6 milhões com expansão anual de 5%. PSA (Peugeot/Citroën/DS/Dogfeng) e chinesa ChangAn decidiram fazer juntas um novo modelo para 1 tonelada. Vendas mundiais a partir de 2020.

AJUDA – Transportadores, embarcadores e empresas do setor de transporte, interessados em reduzir volume e gravidade de acidentes, têm ajuda da Volvo. Fabricante de caminhões e ônibus criou o Guia Zero Acidentes, gratuito, baixável pelo portal do PVST em https://pvst.com.br/wp-content/uploads/2017/09/GuiaZeroAcidentes.pdf

ORGANIZAÇÃO – Dentro de um ano o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), instituirá o Registro Nacional de Gravames, o controle dos financiamentos e sua quitação. Objetiva padronizar o tal controle e democratizar o acesso: hoje apenas uma empresa detém tal privilégio.

TALENTO – Felipe Nasr interrompeu a temporada de ociosidade, implantada desde a suspensão de patrocínio da Petrobrás por conta dos cortes na empresa. Dirigirá para a Action Express no norte-americano Campeonato IMSA de 2018 e também fará provas longas, como as 24 Horas de Daytona e as 12 Horas de Sebring. Boa notícia. Nasr era um talento em férias forçadas.

HISTÓRIA – Lufthansa, alemã de aviação, pediu ajuda ao gaúcho Martin Bernsmuller, dono do maior portfólio de prefixos e histórias de aviões: descobrir o Boeing 737-200, objeto de sequestro em 1977 entre Palma de Majorca, Espanha e Frankfurt, na Alemanha.

COMO? – À época, grupo terrorista palestino tomou a aeronave, levou-a para a Somália, mas não deu sorte: uma tropa de elite alemã invadiu-a, enviando os sequestradores a antecipado encontro com Alah.

BRASIL – O 727 estava abandonado no aeroporto de Fortaleza desde 2009, pertencendo à inoperante TAF Linhas Aéreas. Surpresa, sem chances de recuperação da aeronave, débito crescente ante a Infraero, aceitou a inimaginada proposta de venda. Desmontado, o velho avião foi enviado à Alemanha.

LÁ – Estacionado num aeroporto, marcando os 40 anos, contará a história de maneira épica. Por aqui, museus são fechados e a administração pública pouco se dá.

GENTE – Nelson Piquet, o filho, assinou com a Jaguar para disputar a Formula E, corridas com monopostos elétricos. Nelsinho foi seu primeiro campeão e a marca inglesa quer criar campeonato para carros elétricos de turismo. OOOO Alain Tissier, executivo franco-brasileiro, aposentadoria. Deixará a Renault após 42 anos, mas ficará no país. Desperdício. Ninguém mais preparado para ajustar a operação com a produtora nacional de Mitsubishis, situação invulgar. Renault adquiriu a matriz japonesa, mas no Brasil é operação particular e peculiar. OOOO Andreas Marquardt, executivo, transferência. Era líder dos serviços em mobilidade na Porsche alemã, será presidente da Porsche Brasil. Nada a ver. O ex, Matthias Brüch, foi-se levando Kombi antiga. Se algum dia o Ministério da Cultura ou o da Indústria, Comércio e Serviços abrirem o olho, verão pouco restar do patrimônio nacional de carros antigos. OOOO Tarcísio Triviño, brasileiro, engenheiro, promoção. Era gerente de pós-vendas da Volvo Cars, assumiu diretoria. Desafio. Marca Premium sem operação no Brasil, só conquistará clientes se não assustá-los com o preço de peças e serviços. Brasil os tem, em oficinas autorizadas, inexplicavelmente onerosos. OOOO (Os artigos e matérias assinados por colaboradores são de inteira responsabilidade dos seus autores. A editoria geral desse veículo, necessariamente, não concorda com as opiniões aqui expressas. Texto desta coluna: Roberto Nasser)

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