03 / 08 / 2017

O bem bolado chinês JAC T40

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Bem feito, com boa aparência, conteúdo interessante, marcado por novidades, bem situado dentre concorrentes e com preço bem definido. É o JAC T40. Referências positivas o descrevem a partir da racionalidade. Nasceu em 2011 como demanda do empreendedor Sérgio Habib instigando a matriz em criar produto no seu centro de estilo na Itália. Seria, então, um hatch, solução ideal a mercado consumidor de veículos de dois volumes. Porém, tudo mudou. Tendência mundial alterou linhas com frente elevada e larga para lembrar o Jeep e sua imbricada noção de valentia. Os SUV, SAV, crossover ou hatch dissimulado…, com perfil e morfologia, hoje são responsáveis por 23% das vendas de veículos leves. Desenho inicial foi retocado e iniciou ser vendido em 2015. No Brasil a JAC planejou fábrica na Bahia para produzir o primeiro modelo da marca trazido ao país, o J3 adequado ao gosto nacional: qualidade em partes interfaceando com o comprador e conteúdo rico. Na medida do bolso, pagando impostos de importação, custava o mesmo que um carro nacional pelado. Durou pouco. O Governo Federal mudou a legislação e impôs aumento de IPI e cotas de importação. Consequência, o negócio encolheu, fechou importadoras, concessionárias, empregos. O ministro da área à época era Fernando Pimentel, queridinho de Dilma e do PT, e hoje multiprocessado Governador de Minas Gerais.

JAC T40: bem formulado e com bom conteúdo

JAC T40: bem formulado e com bom conteúdo

De novo >> Mercado retraído, o sócio chinês foi-se, a fábrica se inviabilizou. Mudou tudo, exceto o diferencial de adequar produtos ao gosto nacional e vendêd-los importados, equipados, ao preço de nacional simples. O T40 é assim. No cenário atual a JAC Brasil concentrará esforços no modelo, trazendo 300 unidades/mês. Ano próximo, finda a barreira de importação supertarifada, o volume aumentará. Automóveis deixarão de ser importados e exceções na linha serão um VUC (veículo urbano de carga) e picape cabine dupla. A partir da nova regulamentação industrial, a Rota 2030, e dos resultados com o T40, será definida a montagem no Brasil, em primeiro passo aproveitando ociosidade de fábricas locais – HPE, de Mitsubishis e Chery, por exemplo.

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Como é? >> Projeto bem ajustado, formato SUV/SAV/Crossover, oferece rolagem agradável, boa aparência e habitabilidade. As linhas são atrativas, o tratamento interno simpático aos olhos e ao tato. Bancos frontais especialmente receptivos, painel bem distribuído, comandos à mão. Concorrentes do T40 são os veículos próximos em preço e desenho, como o Hyundai HB20X, Honda WR-V, Renault Sandero Stepway e Citroën Aircross. Estilo desenvolvido na Itália, medidas contidas: entre-eixos 2,49 m, 4,13 m de comprimento, 1,56 m de altura e ampla largura de 1,75 m. Tem o maior porta-malas da categoria. Internamente, piso plano na traseira para facilitar manuseio de carga; volante revestido em couro, painel com instrumentos analógicos e pequeno mostrador digital indicando consumo e odômetro. Pouco brilho dos números dificultou a leitura e, passando por dificuldade, Sérgio Habib, presidente da JAC, chamou o engenheiro responsável para correção imediata, via programação eletrônica. Motorização Flex com 4 cilindros em linha, 1.500 cm³, duplo comando de válvulas com sistema de abertura variável, 127 cv e 15,7 kgf.m de potência e torque máximos, respectivamente. Transmissão manual de cinco marchas e tração dianteira. Suspensão frontal McPherson, traseira por eixo torcional, direção com assistência elétrica, freios a disco nas 4 rodas, expondo as pinças revestidas em vermelho para realçar o sistema. Eletrônica de segurança, travamento automático das portas, assistente de frenagem de pânico (BAS); controle eletrônico de estabilidade (ESP) e tração (TCS); auxiliar de partida em rampa (HSA); monitoramento da pressão dos pneus; sensor de estacionamento; luzes diurnas em LEDs, sensor crepuscular; controlador de velocidade; prendedores Isofix para cadeiras infantis; retrovisores elétricos; volante com comando de som; rodas de liga leve aro 16”. Os preços são competitivos. Versão de pico R$ 58.990, completa, incluindo câmera de ré. Não há GPS. Até o final do ano, versão sem as câmeras a R$ 56.990. Ano próximo, versão superior com câmbio automático CVT adicional por R$ 5.000,00.

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Importação de carros velhos aguarda apoio >> No Senado, aguardando assinaturas populares, Sugestão Legislativa para se transformar em Projeto de Lei, busca autorizar importação de automóveis com mais de 10 anos de uso. Justificativa simplória: permitir aos cidadãos a liberdade de consumir bens de consumo de um mercado globalizado, gerando oportunidades de renda, emprego e impostos no país. Uma excrecência. Ou por ignorância ou má fé querem abrir os portos para importar veículos descartados por falta de segurança. Não serão vistosos, cintilantes, modernos, econômicos, seguros e pouco poluentes Cadillacs, Lincolns, Mercedes, Porsches, Hondas, Toyotas, mas carros refugados nas inspeções de segurança, comprados a preço de banana e importados para se tornar em perigo rodante nas ruas e estradas brasileiras.

Sucata >> Veículos no exterior com mais de 10 anos de uso são, em esmagadora maioria, reprovados nas inspeções de segurança veicular, e os reparos para torná-los aptos e seguros tem custo superior à razoabilidade. Nesta situação, donos pagam a negociantes especializados para tirá-los de circulação, enviando-os a países de terceiro mundo para, sem reparos, iniciar um ciclo final. Destes, os que conseguirem andar, não terão manutenção adequada, pois não se imagina compradores de tais refugos com saldo bancário suficiente a comprar inexistentes ou caros reparos necessários a torná-los aptos a circular com segurança. A justificativa da criação de renda, emprego e impostos é irreal.

História >> Ideia recorrente. Ao início dos anos ´90 um deputado cearense fez proposta idêntica, assustando o Governo Federal. E logo em seguida importadores chilenos apareceram no então Ministério da Indústria e Comércio para conversar sobre o assunto. Sem ter a ideia acatada, indagaram nome do advogado com maiores êxitos em propostas no Ministério. Chegaram a profissional estabelecido em Brasília, apresentaram a ideia e capacidade econômica para sustentar honorários à altura. Argumentaram com o fato de importar de todo o mundo e vender para o norte do Chile, Paraguai, Bolívia e Peru 70 mil unidades/ano. E aduziram a justeza da proposta pelo fato de a Toyota fazer tal operação. Situação diversa: para não ver o mercado peruano, de seu interesse, invadido por sucatas depondo contra sua marca e imagem, a marca japonesa os importava, revisava, vendia e garantia. Na Câmara o projeto foi rejeitado na Comissão de Economia, e fora dela o advogado explicou não trabalhar contra o país. A seu ver a enxurrada de usados desinteressaria investimentos externos para implantar ou expandir linhas de produção. E dar empregos e recolher impostos internos superava as vantagens de importadores. Poderia ser bom para meia dúzia, porém ruim para milhões. A ideia se encerrou aí.

Fênix >> Não se sabe a quem interessa a proposta rediviva. Fato é, encher ruas e estradas com veículos barrados nas inspeções de segurança de outros países, com manutenção desidiosa, em nada contribui com o desenvolvimento do Brasil, aumenta o recolhimento de impostos ou gera empregos locais. Até agora tal Sugestão recolheu 25% das assinaturas para transformá-la em PL. No link uma curiosidade: pode-se apenas assinar, sem espaço para contestar ou chamar os autores à razão.

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RODA-A-RODA

NOVO ROLLS – Marca de escol, Rolls-Royce pouco altera as linhas de seus produtos, mas quando o faz é para valer, como agora.

Novo Rolls-Royce Phantom: tecnologia e alto requinte

Novo Rolls-Royce Phantom: tecnologia e alto requinte

TUDO – Novo Phantom 2018 mudou estética, chassis (agora em alumínio) apto a receber motorizações a gasolina, elétrica ou híbrida. Servirá ao SUV Cullinan e a nova geração de Ghosts, Wraiths e Dawn.

FORÇA – Motor básico, BMW V12 de 6.75 litros, biturbo, 563 cv. Preços na Europa, equivalentes a R$ 538.000, sem os impostos.

PRIMEIRA? – Quieta, Aliança unindo Renault, Dacia, Nissan e Mitsubishi exibe números e concreta possibilidade de assumir liderança mundial de vendas em 2017.

NÚMEROS – Vendas do grupo atingiram 5.268.079 unidades no primeiro semestre, somando veículos diesel, flex e quase meio milhão de elétricos. No total cresceu 7%: Renault e Dacia 10,4%; Nissan 5,6%.

CURIOSIDADE – Mitsubishi 2,4%, mas registra recuperação de vendas dos modelos Kei (até 660 cm³ de cilindrada), cujos problemas levaram a companhia a ser assumida pela Aliança.

SITUAÇÃO – Volkswagen e Toyota disputam a liderança carro-a-carro.

MENOS E MAIS – Enfrentando prejuízos sequenciais, GM vendeu as operações industriais na Inglaterra e Alemanha para a PSA, Peugeot-Citroën. Marcas foram assumidas e tem 100 dias para apresentar um projeto de atuação.

PANCADA – Nova avaliação do Latin NCAP, instituto testador de segurança em veículos, deu péssima nota ao Fiat Mobi. Em cinco estrelas, atingiu apenas uma e, diz a entidade, é fraca a proteção ao peito do adulto em impactos laterais.

IGUAL – Comparou o Mobi aos resultados rasteiros exibidos pelo Chevrolet Onix, justificando danos pela falta de bolsas laterais de ar e de cinto de três pontos para todos os passageiros no banco traseiro.

EVOLUÇÃO – Bomba MagiFlux 2.0, ferramenta para trocar líquidos por sistema mecânico com válvula com esfera de vidro, tem nova versão. Uso prático, rápido, seguro. Quer saber mais? Acesse: www.magiflux.com.br

GENTE – Christopher Podgorski, vice-presidente mundial de vendas da Scania, localização. Novo presidente e CEO da Scania no Brasil, segunda maior operação da marca no mundo. Primeiro brasileiro, apesar do nome. OOOO Marcelo Cosentino, jornalista, progressão. De auxiliar na comunicação da Renault, é o Nº1 da Cummins de motores diesel. OOOO Maira Nascimento, jornalista, ex-Ford, agora é ex-CAOA. Corte interno. OOOO João Ciaco, diretor da FCA, extensão: incorporou a área de comunicação. OOOO Felipe Nicoliello, 60, paisagista e presidente do Puma Clube, faleceu. Conhecedor generoso, foi o grande pilar de preservação da marca e originalidade dos Pumas. OOOO(Os artigos assinados por colaboradores são de inteira responsabilidade dos seus autores. A editoria geral desse veículo, necessariamente, não concorda com as opiniões aqui expressas. Texto desta coluna: Roberto Nasser)

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