10 / 08 / 2017

O exitoso Renault Kwid

 

Jamais quantifiquei os lançamentos automotivos que assisti em quase meio século na atividade. Foram muitos, talvez uns dois mil. O tempo me permitiu desenvolver um sexto sentido, aquele que os médicos percebem olhando um paciente em risco, intuindo se ele sobreviverá ou não. A introdução é para justificar o prognóstico: acho que o Kwid terá muito sucesso.

Renault Kwid: fórmula para o sucesso

Renault Kwid: fórmula para o sucesso

SUV dos compactos >> A favorabilidade das condições começa pela apresentação aos compradores. O slogan é muito bom nesta época de siglas variadas e distorcidas (suv, sav, cuv, crossover…), todas imprecisas, mas “SUV dos Compactos” atende à moda demandada pelo consumidor, carro com jeito de músculos e força. Estilo bem definido é parcela da conta de favorabilidade. Planejamento do produto indicou a filosofia, e o grupo criador foi mandado à Índia, onde comprou uma unidade do Tata Nano, dissecando-a para entender o produto e o ambiente. A versão indiana ficou excessivamente leve, com apenas 600 kg e mostrou-se insegura. Aqui aplicaram mais de 100 kg em reforços estruturais. Composição é de bom planejamento: peso reduzido para fazê-lo esperto com motor 1.0 de 3 cilindros. Pouco mais de 700 kg para 70 cv de potência. A engenharia fez nova caixa de marchas com menos 7 kg ante o modelo anterior; e o cabeçote do motor vem sem o variador de abertura de válvulas, reduzindo 6 kg em peso e alguns Reais em custo. Idem para o limpador pantográfico de apenas um braço, e parafusos de fixação das rodas voltando à tradição francesa: apenas 3 por unidade. Preço é parcela na exitosa conta. Por R$ 29.990 leva-se a versão Life, com quatro airbags, um quantitativo não existente no segmento. Esse carro de entrada é pelado, sem ar ou direção, portanto, venderá pontualmente. Segundo degrau, Zen, é completo: ar-condicionado + direção, travas e vidros elétricos a R$ 34.990. Por mais R$ 350, sistema de som com Bluetooth e entradas USB e auxiliar. Deve ser a mais vendida. Acima, a Intense (por R$ 39.990) inclui faróis de neblina com aros cromados, Media Nav 2.0 com câmera de ré e tela de 18 cm sensível ao toque. Diz a Renault que ele é o carro de menor consumo no país. Preços para cores básicas. Metálicas, seguindo inexplicável tabela nacional, adicionais de R$ 1.400. Início de vendas pela internet superou enormemente as previsões e os agora os inscritos receberão os automóveis em novembro. Surpresa: a Renault manteve os preços da pré-inscrição. Há complementação como garantia de preço contido para revisões para veículos financiados pela empresa. Garante: a manutenção é inferior a R$ 1 por dia. Mede 3,68 m de comprimento, 2,42 m de entre-eixos, 18 cm na altura livre do solo, ajudam a desenhar a sensação de jipinho, conceito impreciso porém, considerado. Na prática, pelo racional e pelo emocional tem tudo para fazer muito sucesso.

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Polo: sedã quase pronto >> Surgiu na internet a ilustração do Virtus, o VW Polo com carroceria sedã e que tem lançamento marcado para o primeiro trimestre de 2018. Tanto ele quanto a versão hatch são construídos sobre a criativa plataforma MQB, capaz de ser esticada e contraída em comprimento e largura. Em tal pacote, como o irmão de linha, serão presença importante no mercado, servindo como conquista aos motoristas ascendendo em motorização, ou descenso racional a quem busca veículos menores por fora, mas confortáveis internamente.

VW Virtus, o Polo com carroceria de 3 volumes

VW Virtus, o Polo com carroceria de 3 volumes

Tecnicamente a plataforma é a “A0”, com eletrônica e conectividade em nível superior ao encontrado em veículos do mesmo segmento B. Em arquitetura mecânica, terá as seguintes opções: motor 1.0 turbo de três cilindros com injeção direta, torque e potência elevados a 128 cv e 20,5 kgf.m, transmissão manual com cinco marchas ou automática de seis. Outro será o 1.6 de 4 cilindros empregado na versão superior da picape Saveiro.

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Polo mascarado: bom de andar >> Disfarçado, a VW fez apresentação dinâmica do Polo. Convidou alguns jornalistas a dirigi-lo. Eu estava lá. Fiquei surpreendido com o conjunto. Automóvel é feito sobre a nova plataforma MQB, a mesma do Golf VII, Audi A3, 4 e 5. Já o vira antes e tive boa impressão e a sessão de dirigir confirmou minha certeza: se o preço não atrapalhar, será fortíssimo concorrente no segmento, em especial porque ao momento do início das vendas em outubro, terá o bom conjunto com motorização 1.0 TSi (turbo soprando a 1,3 bar, injeção direta, 128 cv, 20,5 kgf.m de torque) e transmissão automática de seis velocidades. Atenderá a quem deseja baixo consumo, ótima performance e o conforto do uso da caixa. Haverá opção de motor 1.6, mas de potência e torque ainda em definição.

Adesivado para cobrir detalhes, o Polo pré-série número 00029 na Fazenda Capuava

Adesivado para cobrir detalhes, o Polo pré-série número 00029 na Fazenda Capuava

A experiência foi no circuito doméstico da Fazenda Capuava, próxima ao aeroporto de Viracopos, e embora não espelhe o tipo de uso do consumidor padrão, permitiu aferir o mínimo de aceleração, frenagem, disposição para retomar velocidade, ótimo acerto entre direção, freios a disco nas quatro rodas e a suspensão McPherson frontal e eixo de torção na traseira. Confortável internamente. Motorista com 1,75 m deixa espaço para passageiro do mesmo tamanho no banco posterior. Acomodação boa, ergonomia idem, incremento em conectividade e controles, tudo ajustável em tela, em sistema mais racional e menos ´nerd´. Porta-malas pouco menor relativamente ao Golf. Em resumo, se o departamento financeiro não se entusiasmar para recuperar os prejuízos da empresa com apenas um produto, será acontecimento no mercado ameaçando, inclusive, o futuro do Golf.

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Argo: sedã também já no forno >> Parecia coisa arrumada como às vezes ocorre: uma novidade em pré-lançamento estacionada em local público, atrativo a fotos. Deu-se na semana passada com o Projeto X6S, a variável carroceria sedã do Fiat Argo, substituto de Grand Siena e Linea. Cinco unidades fizeram pose na beirada do Lago San Roque, em Córdoba, no meio da Argentina, onde começou a indústria automobilística de lá. Emanuel Rock, paparazzo do Autoblog.ar fotografou. Apresentam novidade: distância entre-eixos superior à do Argo, permitindo um sedã de três volumes confortável e com porta-malas de boa capacidade como o Grand Siena.

Sedã Fiat Argo, ainda sem nome (Foto: Emanuel Rock/Autoblog)

Sedã Fiat Argo, ainda sem nome (Foto: Emanuel Rock/Autoblog)

Quanto à parte mecânica, idêntica ao Argo: por enquanto duas motorizações de quatro cilindros: 1.3/8 válvulas, caixa de transmissão manual de 5 velocidades e 1.8 EtorQ/16 válvulas, 135 cv, transmissão idêntica ou automática Aisin com 6 marchas. Início de produção na Argentina ao final do ano. Vendas no Brasil em prazo desconhecido, porém, curto. A direção da empresa não aguenta mais as pressões da rede de revendedores, esvaziada em produtos.

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RODA-A-RODA

SURPRESA – Salão de Frankfurt (agora em setembro) exibirá novidade: Swift Sport Turbo. Na segunda geração do bem vendido hatch, a Suzuki reduziu peso e cilindrada, conseguindo ótimos rendimento e baixo consumo.

Baixo peso + turbo = performance econômica

Baixo peso + turbo = performance econômica

ANDA – Preparava conceitos e base para a terceira geração, mesma plataforma, mantido o regime de emagrecimento. Pesa apenas 890 kg e, na versão 4×4, um pouco mais. Motor baixou a 1,4 litro e a aplicação do turbocompressor elevou a potência a 138 cv.

PERFORMANCE – Tal desenvolvimento amplia o caminho para absorver compradores. Além da resistência e da boa construção, terá performance significativa graças às ótimas relações entre peso e torque ou peso e potência. A Suzuki continua familiar e solteira nestes tempos de casamentos e conjunções industriais.

LARGOU – Volkswagen iniciou produzir o Polo. Lançamento previsto para setembro e vendas em outubro. Será produzido na fábrica VW de São Bernardo do Campo (SP).

TRILHA – Bons números de venda do Ford Ranger entre as picapes médias, pela primeira vez alinhando entre os três mais vendidos: Toyota Hilux (3.065 unidades), Chevrolet S-10 (2.672), Ford Ranger (1.559) e VW Amarok com 1.229 unidades.

CAMINHO – Toyota quer transformar picada em caminho criando versão da sua picape Hilux a menor preço. Manterá arquitetura mecânica diesel, cabine dupla, mas simplificará conteúdo e decoração. Quer atuar em faixa inferior. Lançamento em outubro.

RAZÃO – Em almoço com meia dúzia de jornalistas, David Powels (presidente da VW) pergunta: – Porque o Ônix vende mais? Resposta dos seis: o MyLink. Porquê? Respondeu a Coluna: pelo fato de o comprador de pouca capacidade aquisitiva se sentir acima dos demais motoristas de carros baratos, nivelado aos carros com sistemas Premium de conectividade como os Mercedes-Benz, Audi, etc… A mesma mística de quem compra o Hyundai HB20.

CORRERIA – Em tempos instáveis, nunca se sabe do prazo de validade dos ministros de Estado, e por isto, interessados na legislação Rota 20/30, a regra da indústria automobilística para os próximos anos, têm tentado audiências com o ministro Marcos Pereira do MDIC. Querem ter a regra pronta e solidificada o mais rapidamente possível, para evitar eventual substituição detendo o processo.

ANTENAS – Fabricantes instalados sob a proteção do programa Inovar-Auto, ainda em vigor, anseiam por definição. Hoje tem pífio índice de nacionalização. Alguns recebem os carros pintados…, coisa ofensiva, abaixo da assinalada no Governo Vargas! Baixa produção, alto custo. Há marcas analisando fechar a fabricação nacional.

SINAL – Caminho óbvio para não detonar as linhas de montagem em tempos de queda de vendas no mercado interno, é fomentar as exportações. Volkswagen tem feito isto com competência, elevando vendas externas em 52%. Argentina e México são os maiores mercados, e o Gol é o produto mais comprado. É a maior exportadora de veículos nacionais.

IDEM – Mercedes tomou o mesmo caminho: exporta motores a diesel da família OM 460 Euro 3, para Actros, fora de estrada Arocs e Zetros para a Alemanha. Vão para enfrentar jogo duro em caminhões exportados para África e Oriente Médio.

GESTÃO – Sob a condução de David Powels, o cargo de presidente da VW Brasil teve atribuições aumentadas para o Continente. E com vice presidência para exportações, tem incrementado pontualmente, país a país, participação da marca nas vendas. Exceto Brasil, Argentina e México nos outros 27 países importadores vendas cresceram 105% nos sete primeiros meses de 2017.

NEGÓCIO – Vender ao exterior é operação complexa, um compromisso institucional, a criação de relacionamento com importador e cliente, pois não se pode deixar o comprador sem assistência ou garantia de continuidade.

TAMBÉM – Marcopolo analisando crescimento de 15,3% relativamente a período idêntico em 2016, acredita ter iniciado momento de recuperação no mercado brasileiro. Receita também reagiu crescendo 23,6%.

CONHECE? – DAF, marca holandesa hoje controlada pelo capital norte-americano Paccar, fabrica caminhões no Brasil e acaba de entregar a unidade de Nº 2.000. Comprou-a a Transgobbi, cliente com 15 unidades.

GENTE – Alberto César Otazú, 16, piloto de kart, revelação. Vem de série de vitórias e arrematou-as com a Gold Trophy, após fazer a melhor volta e ganhar prova no Kartódromo Ayrton Senna em São Paulo. É esperança para, em poucos anos, fazer presença brasileira na Fórmula 1. OOOO Raul Randon, industrial de transporte, agronegócio, vinhos e queijos, perfeccionista, faz aniversário: 88 anos e trabalhando! Tem a fábrica de implementos com o seu nome, vinhos e queijos RAR. OOOO. (Os artigos assinados por colaboradores são de inteira responsabilidade dos seus autores. A editoria geral desse veículo, necessariamente, não concorda com as opiniões aqui expressas. Texto desta coluna: Roberto Nasser)

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