26 / 01 / 2017

O próximo carro da GM será o Trax

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Nova parcela acaba de ser relacionada para a soma de condicionamentos definindo produto e prazo ao novo carro da GM Mercosul: o início do governo Trump nos EUA e sua insistência em viabilizar nos 100 primeiros dias as promessas de campanha. Dentre estas, revisar o NAFTA, o tratado de comércio entre as nações norte continentais: México, EUA e Canadá. Em nome de gerar empregos internos, o novo governo quer cobrar impostos de importação hoje inexistentes. O presidente da GM no Brasil, o argentino Carlos Zarlenga, disse nos primeiros dias do ano durante o Salão de Detroit, estudar um novo produto para a fábrica de Rosário, na Argentina, onde já é produzido o Cruze. Se fazia sentido industrial e comercial, afinal o Tracker é a versão utilitária esportiva sobre a plataforma do Cruze, aplicar sanções aos produtos mexicanos provocará a fábrica de São José de Potosi a buscar opções para seus negócios. Uma delas é exportar partes prontas para a montagem na Argentina.

Trakker, pequenas mudanças, produção argentina como Trax

Trakker, pequenas mudanças, produção argentina como Trax

Os outros condicionamentos estão nas boas vendas do Cruze; sua assinatura visual nas mudanças realizadas para o Traker; a expectativa de ampliação dos mercados automobilísticos na Argentina e no Brasil; o projeto interno da GM em reduzir o tempo vida dos produtos, incrementado o surgimento de novidades; e a inexplicável omissão da General Motors em participar do segmento SUV, o de maior expansão no Mercosul. Imaginado para 2018, deverá ter outro nome para complementar a mudança: Trax.

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Toyota muda o Etios >> Desprezando crença de que não se deve ter produto novo ou anunciar no mês de janeiro, quando consumidores de itens caros, como automóveis, estão em viagem de férias, Toyota mudou a regra: apresentou o Etios como modelia 2018, identificado por pequenas mudanças externas, complementada por retoques internos. Trabalho de designers brasileiros. Curiosamente o veículo mais atrativo no leque de produtos não está entre os mais caros, mas na base da lista. É o X 1.3 com transmissão automática, a R$ 53.890, menor preço com tal equipamento. O motor é moderno, 4 cilindros, bloco, cárter e cabeçote em alumínio, 16 válvulas e variador de fase em todas. Produz 98 cv. A transmissão é anterior ao motor, com apenas 4 marchas. No geral em todas as versões os carros ficaram mais bem compostos em aparência, com redesenho frontal padronizando as diferenças antes aplicadas nas versões Ready e Platinum. Equipamentos de conectividade, conforto, e materiais melhores em mais um passo para mudar a conformação de lançamento, parecendo misturada de partes. A gestão da Toyota foi ágil em listar as críticas e sanar o produto. Todas as versões, com motores 1.3 ou 1.5 apresentam direção com assistência elétrica, computador com tela de 10 cm, cuidados internos para torná-los atrativos.

Toyota inova com o lançamento em janeiro do Etios 2018

Toyota inova com o lançamento em janeiro do Etios 2018

Quanto? >> Toyota Etios hatchback 2018: X 1.3 16V manual (R$ 45.990); X 1.3 16V automático (R$ 50.890); XS 1.5 16V manual (R$ 51.190); XS 1.5 16V automático (R$ 56.090); Ready 1.5 16V aut (R$ 59.840); XLS 1.5 16V aut (R$ 61.390); Cross 1.5 16V aut (R$ 64.290); Platinum 1.5 16V aut (R$ 64.990) //// Toyota Etios sedã 2018: X 1.5 16V manual (R$ 50.690); X 1.5 16V aut (R$ 55.590); XS 1.5 16V manual (R$ 53.990); XS 1.5 16V aut (R$ 58.890); XLS 1.5 16V aut (R$ 64.190); Platinum 1.5 16V aut (R$ 68.390).

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Ágil, o Mini John Cooper Works Countryman >> Combinando com o produto, o nome extenso batiza a versão mais comprida e equipada da linha MINI. Em conteúdo, o topo da disponibilidade, como o motor 2.0 de 4 cilindros, abertura variada em todas as válvulas, turbo soprando a 2,2 bar, faz 231 cv, aproximados 35 kgf.m de torque, transmissão Steptronic de 8 velocidades e tração integral. Conjunto com o motor mais potente já aplicado ao pequeno automóvel, faz da imobilidade aos 100 km/h em 6,5 segundos e crava velocidade final de 234 km/h. Como é carro para público em geral, a composição mecânica é para garantir estabilidade e segurança na rolagem, freios Brembo com tomadas de ar externas, suspensão esportiva, rodas em liga leve em 18 polegadas, conforto e conectividade, luzes em LEDs. Deve ter rolagem dura e áspera. O Mini John Cooper Works Countryman será apresentado no Salão de Shangai, em abril. No Brasil, provavelmente, só em 2018.

Who? >>John Cooper Works era o designativo décadas passadas para os MINI integrantes da equipe do inglês John Cooper. Ele tomou o carrinho e, para aproveitar sua estabilidade e baixo peso, sinônimos de concessão à esportividade, passou a desenvolver kits de melhora de comportamento. Motor pequeno, inferior a um litro, foi elevado a 1.275 cm³, e os demais componentes de carro urbano e barato permitiram agilidade. Direitos de uso do nome foram cedidos à MINI pela família.

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RODA-A-RODA

ENTÃO – Apresentado ao início de 2015 o Range Rover Sport SVR inovou. Era o utilitário esportivo refinado como os carros desta divisão, entretanto, surpreendeu ao ser dinamicamente bem dotado.

JEITO – Nada de SUV com pouco jeito para aventuras off-road, mas produto bem construído e para atividades que a outros tipos e marcas, se cumpridas serão façanhas.

PROVA – No RR Sport há motor V8 com 550 cv, apto a comportamento esportivo, pronto a fazer de 0 a 100 km/h em 4,7 segundos, tempo de carros esportivos compactos. Sua capacidade de tração nos vários modos permitidos pela transmissão Terrain Response 2 é impressionante. Deixa cicatrizes profundas nos pisos com pneus de série Michelin 275/45 R21.

COMPETÊNCIA – Transmissão fez sua parte, identificando o tipo de piso e se ajustando automaticamente, evitando patinar e perder aderência. Resultados de surpreender: variação entre grama úmida, areia, e asfalto abrasivo foi de apenas 0,8 segundos em acelerações de 0-100 km/h. Combinação de neve e gelo fez o sistema de tração trabalhar intensamente, com prejuízo de tempo: 11,3 segundos.

TRUMPALHADAS – Governo Trump se iniciou nos EUA com retirada do país do maior acordo entre nações do Pacífico, ameaças de revisão ou saída do NAFTA, o mercado formado com Canadá e México.

EM CASA – E reunião com os mandatários das remanescentes das marcas originais, Ford, GM e Chrysler, agora FCA. Lero-Lero sobre produzir nos EUA e tapinhas em Sergio Marchionne, Nº 1 da empresa. O ítalo-canadense é avesso a contatos físicos. Teve momento de boa educação: colocou Mary Barra, a líder da GM, à sua direita.

MEXIDA – GM na América Latina passou por mudanças, criando três regiões: GM Mercosul, abrangendo Brasil e Argentina sob comando comum de Carlos Zarlenga (presidente da GM Brasil); GM Andina reunindo Colômbia, Equador e Venezuela. Nas duas primeiras a marca tem pequenas operações. Na Venezuela há mais de um ano paga a folha de colaboradores sem produzir. Terceira, GM Central, para os países onde há apenas distribuição, caso de Bolívia, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai. Comandante geral Barry Engle.

AMPLIAÇÃO – Para afirmar-se no mercado, Chery, a única chinesa fabricando no Brasil, busca grande crescimento de negócios a partir deste ano. Processo de ampliação ocorrerá por acordo com o Grupo CAOA para se integrar à rede de distribuição da marca. Está nos ajustes finais.

FORNO – Nissan tirou da linha de produção de sua fábrica em Resende(RJ) as primeiras unidades do Kicks. Serão avaliados pelos executivos, maiores envolvidos no processo de construção. A Nissan quer tê-lo em nível de excelência mundial. Produção no primeiro semestre.

DUPLICIDADE – Honda iniciou campanha para vender o Fit. Resume: Pergunte a quem tem. Frase é ótima ao buscar referência de usuário. Mas não é nova. Foi criada em 1901 pela norte-americana Packard e utilizada por décadas.

Anúncio do Fit repete o da Packard, criado em 1901

Anúncio do Fit repete o da Packard, criado em 1901

HISTÓRIA – Àquele tempo de baixa motorização William D. Rockfeller, referência como fortuna, deixou de utilizar carros Winton e comprou um Packard, construído para ser o melhor dos automóveis nos EUA. O “Pergunte a quem tem um” buscava a melhor prova testemunhal.

DUAS RODAS – Ducati fez recorde mundial de vendas, expandiu-se na Itália, sua base, China e EUA, beirando 55 mil unidades. Também cresceu no Brasil: 36%, com 1.184 unidades. Marca de maior ganho, e na Argentina, 219%. Ducati é controlada pela Audi.

CICLO – Após 40 anos, Bernard Charles Ecclestone deixou de ser o executivo de Nº 1 na Fórmula 1. Recebeu 7,5 bilhões de Euros do grupo Liberty Media e passou a gestão do negócio controlador da organização e veiculação. Foi convidado ao cargo honorífico de Presidente Emérito, mas não confirmou.

Ecclestone: executivo peculiar

Ecclestone: executivo peculiar

QUEM – Ross Brown, inglês, ex-estrategista da Ferrari no tempo de Michael Schumacher, teria sido convidado a gerir o negócio.

REALIDADE – Não haverá outro como ele, transformador de atividade errática e romântica num circo de enormes custos, interesses, investimentos, verdadeiro laboratório de desenvolvimento do automóvel através das corridas de Fórmula 1.

HERANÇA – Peculiar em fazer negócios, faz amigos em todas as esferas, e é homem de palavra, desprezando contratos. O novo modelo de negócio não terá o mesmo tipo de trato.

COMEÇOU BEM – Pedro Piquet, 18, mais jovem do clã familiar, começou bem a temporada Toyota Racing Series: em Teretonga, Austrália, na segunda rodada tripla do calendário fez 3º, 1º, e 5º lugares. Está na terceira posição do campeonato com cinco etapas.

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Há 50 anos, a AMG >> Gobaspach, pacata cidade no interior da Alemanha, viu há 50 anos o surgimento de empresa pequena e atrevida. Tinha como sócio um dos seus filhos ilustres, Hans-Werner Aufreschr, e com outro o engenheiro Erhard Melcher. Uniram iniciais dos sobrenomes com a da cidade e criaram a sigla AMG. Proposta insólita, preparar automóveis Mercedes-Benz, dar-lhes mais performance, rendimento, mantendo a conhecida resistência e durabilidade. Muitos anos de bons e referenciais resultados, a inclusão de mais um sócio, o português Domingos Piedade, primeira parceria com a Mercedes para criar o C 36 em 1993. Em 2005 a Daimler-Benz adquiriu a empresa e absorveu sua tecnologia e pessoal, passando a criar versões AMG para os produtos Mercedes. Toda a linha, dos Classe A aos S, incluindo inimagináveis trabalhos em utilitários esportivos. A sólida ligação entre as empresas se mantém, mas em 2014 a direção decidiu separar e a AMG manteve suas habilidades de técnica e construção, o desenvolvimento de projetos, a construção de versões com sua assinatura. A importante chancela também vai em plaqueta colada ao cabeçote dos motores desenvolvidos e montados por ela dentro da filosofia “Um homem, um motor”, descrevendo técnicos individualizados montando e carimbando os motores por ela desenvolvidos. Em 2016 a AMG vendeu 100 mil unidades, 40% mais ante 2015.

Mercedes-AMG GT: linha 2017 dos bólidos alemães

Mercedes-AMG GT: linha 2017 dos bólidos alemães

Produto recente é o GT de seu projeto e construção, chassis em alumínio, como quase toda a carroceria. É tido como o melhor resultado na cruza entre rusticidade esportiva e refinamento. Estará na 11ª edição do Mercedes-Benz Top Night, evento realizado há 11 anos com o fotógrafo Luiz Tripoli. Neste ano, sete personalidades do mundo musical foram fotografados ao lado de automóveis Mercedes-Benz. O AMG GT C, recém-apresentado, é marcado por grade frontal inspirada nos protótipos dos 300 SL competidores da Carrera Pan Americana em 1952. (Os artigos assinados por colaboradores são de inteira responsabilidade dos seus autores. A editoria geral desse veículo, necessariamente, não concorda com as opiniões aqui expressas. Texto desta coluna: Roberto Nasser)

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