08 / 06 / 2018

Planos FCA: SUVs, picapes, turbo…

Acionistas, banqueiros, analistas econômicos, jornalistas do mundo atingido pela FCA, aderiram à convocação da empresa para o ´Capital Markets Day´, aonde apresentou o seu plano quinquenal. Abordei na nossa coluna o assunto anteriormente indicando a pauta como atrativa, não apenas pelo polêmico, criativo e determinado ítalo/canadense Sergio Marchionne, CEO da empresa, mas pelos planos de crescimento, expansão, definição. E pelo fato de deixar o cargo sem executar o plano. Valiam atenções, incluindo a atração do anúncio do sucessor. Acertou quem não aceitou tanta placidez. Marchione surpreendeu com o leque de ações e projetos; com definições para mercados em crescimento e lucros como a América Latina e a Ásia; como decidir minguar a Chrysler e não anunciar o sucessor. Frustrante? Não. Agora está entendível: não queria a aplicação do ditado de ´Rei Morto, Rei Posto´, perdendo o estrelismo em sua própria reunião.

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Mudanças >> O novo projeto dá peso específico às diferentes marcas sob a frondosa árvore da FCA: Lancia, tradicional, tende ao desaparecimento sem lançamentos novos e hoje restrita ao pequeno Ypsilon; Dodge e Chrysler entram em processo de drenagem, devendo encerrar produção de automóveis, tendendo a apenas utilitários esportivos, condenadas a se restringir ao mercado norte-americano; RAM, anteriormente marca Dodge e agora autônoma, ampliação. Relançará a linha de picape média, como foi o modelo Dakota no Brasil. País tem maiores chances de absorver a produção; LATAM (nada a ver com a desconfortável companhia aérea, mas abreviatura norte-americana para Latin America). A região, mercado crescente em vendas e lucros, com três novos modelos: um SUV de 7 lugares baseado na picape Toro, gerando dois produtos, um Fiat e outro Jeep. Pela base mecânica comum a Toro, Renegade e Compass, serão produzidos em Pernambuco; Picape pequeno: nova geração do Strada, já em providências. Plataforma baseada no Cronos, cabine com partes do Mobi. Projeto tratado a ´Pão-de-Ló´, como se diz internamente na Fiat. Fácil entender: vende 55% no mercado e é referência em adequabilidade, resistência e operação. O sucessor deve cumprir tal agenda; SUV pequeno, já citado pela imprensa, dito grosseiramente “Mini Renegade”, também está em desenvolvimento; Jeep: marca mítica, bem capitalizada pela FCA, em franca ascensão, entre 2013 e 2018 quer evoluir de 730 mil unidades para 2,1 milhões. É a menina dos olhos de Marchionne, vendo o potencial nunca enxergado pela marca, pela Renault e pela Chrysler. Até 2022 quer ter quatro SUVs e uma picape, esta com a cara do Jeep Renegade. Compass sofrerá a primeira evolução para manter a inimaginável liderança; Alfa: festejando a chegada nos dois principais mercados mundiais, EUA e China. Próxima geração terá GT, projeto comum entre Maserati e Alfa. Neste, em 2020, reposição do 8C, desenvolvendo 700 cavalos de potência em motor V8 de duplo turbo, sucessor do atual ´Motor do Ano`, o da Ferrari 488 Pista. Não o terá dianteiro como os 8C antecessores, da década de ´30 e de 2009-2013, mas na traseira. Na prática, Maseratis e Alfas, por questão de custos e lucros entraram no funil para usar componentes Ferrari (plataforma, suspensão, motor e câmbio). O emblema, não. No planejamento de produto outro cupê, o GTV com motor V6 de 2.9 litros, evoluído do atual, chegando aos 600 cv. Após o sedã Giulia e o SUV Stelvio, com invejável definição performática, a Alfa dará o segundo passo para melhorar sua imagem: o novo cupê e o GTV se destinam a peitar frontalmente as versões especiais das marcas alemãs, os Mercedes AMG, Audi RS e BMW M. Da lista atual deixará de produzir o charmoso Mito, mandando revisar a Giulietta. E SUVs, sempre, segmento de maior expansão no mundo, com dois representantes, acima e abaixo do Stelvio. Quem esperava atualização do Alfa 4C pode retirar o equino da pluviosidade. Foi um evento de marketing, para chamar atenção sobre a marca. Relançada, perdeu a razão de ser. Como complicador, é um ex-Alfa, feito fora da Alfa, processo artesanal, incompatível com a competitividade no setor. Maserati desfruta da posição de marca de topo na FCA após a separação da Ferrari, agora empresa independente e não FCA. Vem de pouco crível recuperação, passando de 6.000 vendas em 2012 a 50 mil imaginadas neste exercício. Promete concretar o modelo Alfieri (nome do mais velho dos irmãos Maserati), fundadores da marca. Cupê confortável e rápido, elétrico, com comportamento esportivo do tipo 0 a 100 km/h em 2 segundos e velocidade final de 300 km/h. Terá outro SUV, abaixo do Levante e um sedã para concorrer com demais grandes. Será o Quattoporte.

Tecnologia >> Apostará em turbos e elétricos para o restante do mundo e, pontualmente para a América do Sul, no downsizing, os motores de baixa cilindrada com aposição de turbocompressor. No mercado LATAM, pequenos motores a álcool e turbo, mas sequer há desenho inicial para tal decisão.

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Calma pessoal, que o subsídio é nosso >> Encerrada a greve dos caminhoneiros, perdemos todos. Nós, os contribuintes, pagaremos as vantagens concedidas pelo Governo Federal, mesmo sem saber se os grevistas representam o setor, o que efetivamente querem. Melhor atestado foi a saída de Pedro Parente da presidência da Petrobras, onde tentou reverter o prejuízo dado por PT, Lula, Dilma e partidos associados, percebendo ter perdido autonomia e a certeza de influências políticas daqui para diante. Idem para todos nós chamados a bancar um subsídio ao diesel, tão estranho quanto entrar na relação entre concessionárias de estrada e governos estaduais para isentar de pagamento os veículos com o terceiro eixo suspenso. Quem garante não haver carga para dispensar o uso apenas nas praças de pedágio?

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Perdemos a esperança em um governo minimamente articulado e com controle sobre problemas. Recebemos fugaz operação de compra e venda, a mais simplória falta de noção; a inconsistência da tabela de correção de frete, anunciada, discutida, recolhida e rebaixada; a incerteza de não haver mais greves, muito pelo contrário. O governo tenta sobreviver até seu débil final. A greve foi dos motoristas, mas qualquer setor com capacidade de mobilização será capaz de parar o país. Além destas certezas, restaram outras: a população continua procurando seus heróis ou quem faça oposição prática ao Governo; e não aceita tutela de partidos ou falsos oportunistas buscando capitalizar sobre a união popular que não conseguem realizar.

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RODA-A-RODA

TAPA – GM retocou o Prisma, derivação do Ônix, ambos liderando vendas em seus segmentos. Decoração e incremento em infodiversão. Razão clara: tentar manter vendas ante o nítido envelhecimento das linhas, novos concorrentes e substituição possivelmente em 2020.

MERCADO – Previsões de troca de posições de mercado durante maio não se apresentaram. GM não foi ultrapassada pela VW e manteve primeiro lugar; VW continua em segundo; Fiat em terceiro; Ford freou-se em quarta posição, contrariando projeções de ser ultrapassada por Hyundai ou Renault.

NEGÓCIO – Seja por excesso de revendas, seja por baixa participação no mercado (um dos concessionários domina metade das vendas), pelos sinais da transformação da Ford Brasil em importadora e incerteza quanto ao futuro, dois entre os cinco negócios Ford em Brasília estão à venda.

VARIANTE – Tens oficina, borracharia ou pequeno negócio ligado a automóveis? A Total, produtora de lubrificantes acha-o ideal para abrir um posto de troca rápida de óleos do motor, iniciativa exclusiva, competitiva e rentável. Baseia-se em estudo do Sebrae e do Instituto Brasileiro de Qualidade e produtividade, indicando que 1/3 dos brasileiros possuem uma empresa ou querem tê-la.

COMO? – Oferece treinamento, muitos produtos, orienta implantar mecânica rápida, troca de óleos e filtros, revisão gratuita em até 15 itens de manutenção.

VERTENTE – Ford ampliou perfil de fornecimento de peças e componentes. Não se resume à marca, ampliando espectro em partes de reposição comum: discos e pastilhas de freio, filtros, óleos. Nome confuso, Omnicraft, mistura latim com inglês para vender no Brasil.

SOCIAL – Comemorando 70 anos da marca e em fase de crescimento de vendas, faturamento e lucros, a Porsche criou fundação com o nome de seu criador e gestor, Ferry Porsche. A empresa diz que responsabilidade social e sucesso econômico são ligados de forma inseparável.

FOCO – Nos últimos anos a Porsche tem dedicado até 5 milhões de Euros/ano para promover entidades civis, culturais e sociais. Agora tocará profissionalmente.

FAMÍLIA – Elite, evolução do HondaJet, o avião da Honda, foi apresentado pela empresa japonesa. Mais refinamento decorativo, aperfeiçoamento dos motores, melhor insonorização (reduziram ruídos internos e externos), implementação de estabilizador automático. Melhor dado, aumento de autonomia em 17%, indo a 2.661 km. Custa US$ 5.250 milhões, cerca de US$ 300 mil acima da versão anterior. Representa-o a Líder Aviação.

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ANTIGOS – Autoclasica, maior dos encontros sul-americanos de automóveis antigos, já tem data para próxima edição: de 12 a 15 de outubro. É uma aula de antigomobilismo.

GENTE – Cláudia Freiesleben, Filipe Gutierrez e Ana Paula Silva, jornalistas, já não atendem a ramais na Ford. Dispensa e plano de desligamento. Buscando equilibrar contas, a empresa corta despesas. Os cargos foram fechados. OOOO (Os artigos assinados por colaboradores desse site são de inteira responsabilidade dos seus autores. A editoria geral desse veículo, necessariamente, não concorda com todas as opiniões aqui expressas. Texto desta coluna tem autoria do jornalista Roberto Nasser)

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