01 / 02 / 2018

Registro: há 132 anos surgia o automóvel

 

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Esquisito, tipo cruzamento de triciclo com carroça, soluções mecânicas hoje risíveis, feito com ferramentas primárias. Este é o veículo ´automóvel´ patenteado pelo engenheiro Carl Friedrich Benz aos 29 de janeiro de 1886. Foi a primeira patente para um, digamos com boa vontade, automóvel movido por combustível de nome e funções estranhas, o Lidoin, derivado de petróleo empregado em limpeza doméstica. A patente levou o número 37.435, concedido à Fábrica de Motores a Gás Benz & Cia, nome pomposo para pequeno negócio de sobrevivência familiar. Benz não foi o primeiro a fazer um veículo apto a mover-se por seus próprios meios, tocado por um motor de combustão interna, mas o organizado técnico a buscar patenteá-lo. Antes, Siegfried Markus, da Áustria, havia produzido aparato idêntico e com aparência mais automobilística relativamente ao triciclo Benz. A organização de Carl Benz e a expedição da patente dão-lhe o merecido título de Criador do Automóvel. Questão básica era o fato de os motores serem muito pesados relativamente à potência produzida, comprometendo o rendimento. Assim, outro alemão, ainda contemporâneo de Benz, um certo Gottlieb Daimler, construia-os para aplicações diversas, demorando a fazê-lo chegar a veículos leves, como um arremedo de motocicleta e a aplicação num veículo de quatro rodas.

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Outro fato era a recenticidade da criação dos motores. O francês Etienne Lenoir fez um engenho com tal DNA, originalmente para consumir gás, como eram os motores com aplicação industrial também produzidos por Benz, e outro alemão, Nikolaus Otto deu a diretriz ao alterar o ciclo operacional comprimindo o gás combustível, obtendo rendimento muito superior e traçando o rumo dos motores de combustão interna, princípio vigente até hoje. Curioso na história, o invento de Benz foi visto com susto tanto pelo insólito da proposta, quanto pela forma e, mais, pela ausência de escapamento, o funcionamento com enormes ruídos, espantando animais. Foi sua mulher, Berta, com os filhos mais velhos, em viagem até a casa de seus pais que fez sem saber o primeiro teste, aferiu os pontos fracos, chamou enorme atenção, ganhou espaço nos jornais, apresentou o produto e provocou vendas. Como referência, apesar de as empresas terem juntado conhecimento, meios, capitais, Daimler e Benz não se conheceram. Para ilustrar a história, a Mercedes-Benz ainda produz, em pequenos lotes e de tempos em tempos, unidades do Patent Wagen.

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Rota 2030: Toyota sai na frente >> Em meio às definições dos caminhos da indústria automobilística a ser traçados pelo projeto Rota 2030 para os próximos 12 anos, a Toyota se adianta. Essa marca japonesa entende as dificuldades dos órgãos do governo para se ajustar em torno de propostas para assegurar crescimento, ganho de tecnologia construtiva, redução de consumo e emissões, e definições para o futuro, incluindo apontar caminhos e soluções para o uso de combustíveis renováveis. Para assumir posição de referência, tem argumento de peso: o crescimento de vendas de seu híbrido Prius, de maiores vendas e estrutura no país. Saltou de 485 unidades em 2016 para 2.470 ano passado, graças a trabalho profissionalmente dirigido: envolvimento da rede de concessionários, redução de preços, situando-o pouco acima do Corolla. Cercou o consumidor com certezas de manutenção, garantia e fez crescer o valor de revenda. Nas definições para os próximos anos, a empresa, junto com outros interessados, conseguiu sensibilizar o Ministro Marcos Jorge de Lima, do MDIC (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços) a adotar e antecipar medida incluída na estrutura do Projeto Rota 2030: a aplicação de IPI idêntico à tributação dos carros 1.0 que é de 7%. Com isto, os preços serão reduzidos e a competitividade aumentará. A medida tem início de vigor previsto para março, coincidindo com efeito-demonstração ora em aviamento pela Toyota, investindo para transformar o motor do Prius em flex, apto a operar com álcool.

Prius: dentro do ideal oficial, usará álcool para gerar eletricidade

Prius: dentro do ideal oficial, usará álcool para gerar eletricidade

Segundo a Toyota, no projeto de adequação do híbrido ao uso de etanol, combustível renovável gerando eletricidade, carro será recordista no cumprimento aos desejos dos órgãos federais, ao emitir a menor quantidade de CO2, enorme conquista para o meio ambiente, uma evolução decisiva o Brasil, como enfatiza Miguel Fonseca, vice presidente executivo.

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RODA-A-RODA

MERCADO – Para ajustar-se aos tempos de recuperação e preferências do mercado, BMW foca nos SAV (Sport Activity Vehicles), classificação por ela criada e responsável por 55% de suas vendas no país.

O QUÊ? Apresentou o X2, para vendê-lo em maio. Destaque para o X5 ´M´. A letra indica os produtos com desenvolvimento especial da marca bávara para aumento de performance.

NÚMEROS – Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi fechou o primeiro ano de agregação crescendo 6,5% e cravando 10,6 milhões de veículos vendidos. Na prática, de cada nove veículos comercializados no mundo, um é da Aliança Renault, Nissan, Mitsubishi, Dacia, Renault Samsung, Alpine, Lada, Infiniti, Venucia, Datsun, atuando em 200 países.

PRÉ VENDA – Indefinida a imposição tributária sobre veículos importados, Volvo trouxe da Suécia iniciais 200 unidades do novo XC40, todas já vendidas. SUV, quatro cilindros turbo, 2.0, 190 cv, o mais potente do segmento.

MAIS – Semi autônomo, quer dele fazer a bandeira da marca. Fluxo normal de importações previsto para julho, quando o Projeto Rota 2030, regulando o setor automobilístico, estiver em vigor, permitindo encomendas.

OPÇÃO – Peugeot importou novo lote de 500 unidades do SAV espanhol 3008. Mais acessórios, inflando conteúdo para atender solicitações da clientela.

II – Curiosamente optou aumentar vendas de produto importado, deixando de aplicar-se ao relançamento do nacional 2008, de ótimas características, porém, de pequena e injusta participação no mercado.

NOVA? – Proclama-se “Nova Peugeot”, rótulo curioso quando vistos seu mapa de vendas, performance, presença, encolhidas no Centro Oeste (exceto Brasília), Norte e Nordeste. Talvez deva relançar-se, como Peugeot, de Novo…

CAMINHO – Ford apresentou o KA em versão Freestyle. Esforço para fazer ponte entre o hatch e a morfologia de SAV e SUV, anunciando-o como produto mundial. Quer ser visto como um EcoSport pequeno.

Ka é um CUV

Ka é um CUV

AJUSTE – Plataforma e partes do KA, implementos em conectividade, maior altura do solo e promessas de Ford de habilidades para andar fora de estrada, apesar da tração simples.

CLASSIFICAÇÃO – Enquadra-o como “CUV” (Compact Utility Vehicle). Nova categoria traz desnecessário tropeço fonético.

QUASE NOVO – Honda iniciará distribuir aos revendedores versão revista do City, sedã construído sobre a plataforma do Fit. Mudanças, anteriormente indicadas pela Coluna, não caracterizam novo modelo, mas segunda parte do ciclo de vida.

O QUÊ? – Exibe alterações no visual frontal e posterior, pequenas mudanças interiores, implementação da conectividade. Mecânica não muda: leia-se, não terá o sistema ESP, pró-estabilidade.

RESPONSABILIDADE – Primeira Câmara de Direito Civil, do Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu, a Prefeitura operadora do sistema de estacionamento urbano Zona Azul, é responsável pelos danos ocorridos aos veículos nela estacionados. Por enquanto vale para SP.

MELHOR – Dunlop, marca ex-inglesa, agora japonesa, com o sobrenome do criador do pneu, implantou novo ciclo no Brasil. Esteve aqui ao início da indústria automobilística e depois foi-se. Nova fase no Paraná, marcada pela conquista de grandes clientes, como Volkswagen, Fiat e Toyota, exibindo capacidade de disputar preços.

PRESENÇA – Fez cinco milhões de unidades em 2017; quer crescer 20% neste exercício; construir nova fábrica de pneus para carga. Curiosidade: os Dunlop equipando o novo VW Virtus, lançado recentemente, eram importados.

NEGÓCIO – Início da retomada das vendas pela indústria automobilística mostrou o elo fraco da corrente de produção: a de auto peças. Para evitar interrupção no fornecimento de partes, a Volkswagen aplica seu peso financeiro para facilitar empréstimos de grandes bancos às menores empresas. As maiores foram assumidas por multinacionais.

MAN 900 – Fábrica de caminhões e ônibus sucedendo tal atividade à Volkswagen, MAN registra atingir a marca de 900 mil veículos produzidos no país. Do total, mais de 750 mil construídos pelo inovador sistema Consórcio Modular, em Resende (RJ).

Caminhões MAN: 900 mil unidades

Caminhões MAN: 900 mil unidades

LIQUIDAÇÃO – Motorrad, área de motocicletas da BMW, faz promoção para limpar o estoque dos modelos 2017. Desconto de R$ 4.000 para as topo R 1200 Rallye, a R$ 71.900. Modelo R, desconto menor, a R$ 62.900.

PESQUISA – Para entender sua posição no mercado nacional, importadora da motocicleta Royal Enfield conduz pesquisa entre formadores de opinião especializados no setor.

COMO? Marca, antes inglesa, agora é indiana mantendo desenho e conformação dos modelos surgidos na década de ´50. Portam o saudosismo, preço menor, mas em uso sofrem as consequências do projeto superado.

ÍNDIA – Distante do nosso conceito de produtor de veículos, a Índia fornece ao Brasil as Royal Enfield, as partes formadoras da moto BMW G 310 GS e muitos componentes do Renault Kwid.

VENTO – Mário Araripe, o engenheiro cearense fundador da Troller, após passá-la à Ford, aplica-se ao mercado de geração de energia eólica. Implanta parques e os vende a investidores internacionais. OOOO (Os artigos e matérias assinados por colaboradores são de inteira responsabilidade dos seus autores. A editoria geral desse veículo, necessariamente, não concorda com as opiniões aqui expressas. Texto desta coluna: Roberto Nasser)

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