21 / 06 / 2018

Uma Automundo?

O anúncio da Volkswagen e da Ford prometendo estudar sinergias e negócios, em especial quanto a veículos comerciais, instam lembrar da Autolatina, empresa reunindo as duas marcas no Brasil e Argentina, numa tentativa de salvação entre 1987 e 1995. O modelo atual será diferente. Chamam tal acordo de ´aliança´ e não será uma joint-venture, a união de duas empresas criando uma terceira. Também não haverá troca de ações (uma ficaria com percentual da outra), nem fusão ou incorporação. Prometem ´sinergias´ e, como primeiro plano, um caminho conjunto para veículos comerciais. Comunicado frio, seco, com mínimas informações, sugere ter sido solução do tipo ´dez-pra´s cinco´, em cima da hora, talvez para evitar furo de imprensa, causando queda de valor das ações ou desgastes com acionistas. Na prática, aparenta ser promessa de troca de ideias sobre pontos de vista, potencialidades, ociosidade em instalações industriais, para fabricar veículos de uma em fábrica de outra, desenvolvimentos comuns de produtos, união para os futuros passos da autonomia, foco em direção ao modelo 4.0 de intensa mudança industrial em métodos e equipamentos, etc… Será período de muita conversa e muitíssima especulação, boatos, terrorismo interno e externo sobre passos da nova aliança.

VW + Ford = Automundo

VW + Ford = Automundo

De real >> Nossa coluna antecipou em fevereiro que a Ford está em quarto minguante, período de cortar custos. Em maio, a situação se refinou e a matriz norte-americana deu o norte: retirou sedãs de produção, faz dispensas mundiais, corta investimentos, avisou sair de países sem retorno em lucros, diminui operações, e também avisou que vai direcionar-se a operações com SUVs e veículos comerciais. Os caminhões da marca são produzidos apenas no Brasil e na Turquia. Quer salvar-se. E ainda encontra inconvenientes: não tem bons resultados na Europa e na China, hoje maior mercado mundial. Mas detém título invejável: é o maior vendedor mundial de picapes, com a F-150. Em contraposição, a Volkswagen é a maior do mundo na área, lidera na Europa e China, porém sem boa performance nos EUA, apesar de lá ter fábrica. São dificuldades e facilidades se engrenando. Possivelmente, como referência fática, uma picape VW seja o veículo de acerto inicial entre as duas marcas, considerando a facilidade industrial: é automóvel bruto, com chassis. Em tal caminho, a VW exibiu recentemente no Salão de New York, um conceito sobre uma picape. Maior relativamente a Amarok, do porte consumido nos EUA. Em paralelo, muitas dúvidas internas e externas, sobre departamentos a serem somados, pessoas dispensadas, revendedores tensos. Não se compare com a Autolatina: era regional e joint venture. E deu certo apenas como solução de sobrevivência. A questão foi participação de mercado: Volkswagen detinha 40% e Ford, apenas 20%. VW saiu com percentual assemelhado e Ford desabou a insuperáveis 9%, perdeu e jamais recuperou metade de sua presença.

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Salão: menos expositores >> Salão do Automóvel é evento importante, secular, ponto de encontro entre expositores de bens ou serviços e visitantes para conhecê-los e eventualmente adquiri-los. E assim é praticado no largo prazo de convívio com o automóvel. Mostrar-se num Salão é operação onerosa, pois a locação do espaço (no usual, a preços beirando o valor de aquisição…) é apenas um dos componentes da conta. Há produção especial dos veículos, muito mais cuidados e às vezes em cores especiais, recepcionistas, material informativo, coquetéis e mais ampla relação de parcelas. Não dá para avaliar acerto do investimento, pois não há vendas para mensurar o resultado. Há anos, por custos, o empresário Sérgio Habib, dirigindo a Citroën, não a levou à mostra, mas fez pesquisa à saída, indagando opinião dos visitantes sobre carros e stand. Multidão respondeu ter gostado muito ´do que não viu…´ Uma lição. Ausência à mostra não é exclusividade local. Neste ano, no Salão de Paris, um dos mais tradicionais do mundo, alternando com Frankfurt na exibição de novos produtos a consumidores europeus, a marca Volkswagen decidiu não ir. A empresa é uma das líderes mundiais e provocou fazer contas, deflagrou desistências em sequência: Ford, Infiniti, Mazda, Mitsubishi, Nissan, Opel, Volvo e Subaru. Quase todas, exceto esta, integram conglomerados diversos e estes levarão associadas. Por exemplo: Sköda, Seat, Porsche, Audi, Lamborghini, controladas pela VW, irão. Mitsubishi e Nissan, ausentes, mas Renault, companheira de Aliança, dirá presente. Opel, agora Peugeot, não aderiu, mas essa irá, assim como a Geely, controladora da Volvo.

Marcas, espaços, compradores, mercado crescem. Salões de Automóveis, não...

Marcas, espaços, compradores, mercado crescem. Salões de Automóveis, não…

Para o Salão do Automóvel de São Paulo (8 a 18 novembro), ausências em quantidade. Sem Jaguar Land Rover, Citroën, Peugeot, JAC Motors e Volvo, por enquanto. Razão comum: gastos e custos sem recuperação imediata ou o ciclo de desinteresse pelo automóvel, fenômeno em curso e não enfrentado pelos seus fabricantes. A previsão de visitas nos 10 dias de Salão é de 700 mil pessoas. Muito? Não. Há décadas o quantitativo não cresce, independentemente da expansão dos habitantes de São Paulo, do crescimento da frota, aumento de número de marcas, da democratização do automóvel, da mudança do Salão a área maior e de mais conforto.

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Livro: Operação Abacaxi >> Nome gaiato, tanto quanto a ideia, consecução, participantes: em 1955, três escoteiros com 19 anos, propõem e têm aceita a ideia de ir de São Paulo ao Canadá participar de um ´Jamboree´, encontro internacional, e o fizeram num Jeep Willys de produção nacional. Concordância e apoio não foi da Willys-Overland do Brasil, fabricante do veículo, mas da Agromotor, revenda da marca e uma das pioneiras distribuidoras e sócia da empresa nacional montada para importar, montar e distribuir Jeeps no Brasil. Chave do negócio: os rapazes foram fazer fundo de manutenção procurando fabricantes de auto-peças para, durante a viagem, realizar efeito demonstração da existência de corajosa indústria de componentes e de sua resistência ao insólito e árduo trabalho. Reuniram US$ 2.000 (hoje uns R$ 70 mil), elegeram um tesoureiro (na época não existiam facilidades de comunicação para transferir dinheiro), usaram as regras do escotismo para comportamento pessoal e organização de funções e foram-se ao mundo no Jeep Willys brasileiro, modelo CJ3B. Nele aplicaram as peças produzidas pelos patrocinadores, pintaram-no de Verde e Amarelo. Na prática, a teoria do orçamento foi outra: a viagem custou US$ 4.500 de então, uns R$ 150 mil.

Em 1955, um feito memorável: do Brasil ao Canadá num Jeep nacional

Em 1955, um feito memorável: do Brasil ao Canadá num Jeep nacional

Cumpriram o desiderato, enfrentaram toda a falta de estradas, as limitações do Jeep, e pioneiro motor com válvulas em ´F´ de 2.148 cm³ e modestos 75 cavalos de força, câmbio semi-sincronizado em 2ª e 3ª marchas, reduzida, e a contida velocidade de cruzeiro em torno de 70 km/h. Enorme conquista pessoal, reconhecida e festejada por todo o caminho. Exemplo típico, quase épico, da ignorância como a mãe da coragem. Parte prática, Hugo Vidal, agora com 85 anos, empresário aposentado, autor das pequenas passagens formando o livro, exibiu jovem vertente negocial: na viagem foi a oficina/pequena indústria, fabricante de roda livre (mecanismo para desacoplar os semieixos dianteiros, deixando-o sem tração, melhorando direção, reduzindo consumo), e obteve a representação e industrialização do sistema AVM. Como àquela época o Jeep foi o veículo mais vendido do país, dá para entender o acerto da coragem em propor e conquistar a representação. Da viagem, em números, ida e volta, 73 mil km, 377 dias, 19 países. Operação Abacaxi – Flashes de uma Aventura, é agradável de ler, com foco em vários públicos, apreciadores e colecionadores de Jeeps, de viagens, história e as limitações de então. São 180 páginas a R$ 95. A fim? www.overlanderbrasil.com

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RODA-A-RODA

LENÇOS – Para os viúvos de Alfa Romeo: Argentina iniciou vender primeiro lote de Giulias e Stelvios (o SUV da marca) com motorizações 4 cilindros (2.0/200 cv); 2.0/280 cv + tração total e V6/2.9 e 510 cv, todos com transmissão automática de 8 velocidades.

UAU! – Giulia 200 cv, custará 41.689 Euros (+- R$ 183.193); Giulia 280 cv 56.579 E (+- R$ 248.625); Giulia V6 510 cv 115.448 E (+- R$ 507.313), Stelvio 200 cv 46. 879 E (+- R$ 206.000); 280 cv 92.458 E (+- R$ 406.288). Stelvio 510 cv ainda sem preço definido. Alfa tem representante oficial na Argentina e três revendas. Para o Brasil, possível, mas por enquanto, improvável.

JÁ VI – Assumindo a operação Chery no Brasil, CAOA faz ofensiva publicitária no jornal Folha de São Paulo. Sobre o QQ, o menor da marca e até pouco o mais inadequado dos estrangeiros no país, arranjou referência. Trata-o como ´A pequena maravilha´. Coisa antiga. O slogan era dos DKW.

CAMINHO – BMW voltou a importar o híbrido i3. Mudanças estéticas; agregou o REX, pequeno motor a gasolina dito pomposamente ´Extensor de Autonomia – 380 km´. Apenas elétrico a R$ 200 mil e com REX R$ 212 mil e R$ 240 mil.

MONOZUKURI – Expressão japonesa indica atingir todos os parâmetros de qualidade para execução de um trabalho perfeito. Foi a utilizada pelos auditores japoneses da Nissan ao examinar protótipos e aprovar máquinas e processos destinados à produção da picape Frontier e também Renault Alaskan e Mercedes-Benz Classe X, em parte da fábrica da Renault em Santa Isabel, Córdoba (Argentina).

MUDA – Deve corrigir isolamento termoacústico e fazer pequenas mudanças estéticas para distinguir do produto mexicano, ora vendido no Mercosul. Produção no segundo semestre. Quanto a preço, se será reduzido em razão da produção Mercosul, não se sabe.

ELAS – Mulheres sabem mais e ganham menos da indústria automobilística. Constatação, a merecer atenção geral, surgiu com Paula Braga no VI Fórum RH promovido pelo portal Automotive Business. Em dados, a força de trabalho feminina cresceu 2%, sendo hoje 17% da indústria: 1 mulher x 6 homens, mas o crescimento está relacionado à contratação via redução de custos.

NÚMEROS – Mulheres ganham até 33,8% menos ante os homens, apesar de 45% das profissionais ter ensino superior ou especialização. Com eles desaba a 29%.

QUESTÃO – Enquanto a indústria não perceber que homem é apenas protótipo e mulher o produto final, não evoluirá. O mesmo para administração municipal. Exceto uma ou outra gatuna, no geral fazem melhor serviço nas prefeituras.

PROBLEMA – Em nome de uma segurança interna por disfunções em veículos e peças estrangeiras, e outras razões desconhecidas, o Departamento de Comércio dos EUA quer tributar em 25% todos os veículos rodoviários importados (de motos a caminhões) e suas peças. Abriu consulta pública sobre o tema.

RAZÃO – Em política, para entender a razão das coisas, na medida da seriedade do governo (ou falta de), procure no recolhimento de impostos ou orçamento majorado e achará a resposta. No caso, parece forçar instalação de fábricas nos EUA; reduzir disputa com produtos locais; aumentar recolhimento de impostos.

MULHER – Tema estava restrito a indústria e importadores, quando Miss Sandra Button, organizadora do ´Pebble Beach Concours d’Élegance´, evento mais charmoso do mundo de automóveis antigos, tocou a buzina em seu mailling mundial pedindo socorro contra a medida, capaz de alterar o mercado e comprometer a atividade de restauração.

FIM – Brasil fez sobretaxa no governo (sic) ´petolulista´ pelo ora processado Fernando Pimentel, governador (?) de Minas Gerais. Na semana passada, para não ser citado judicialmente, estava em lugar incerto e não sabido. Gente finíssima…

À RÉ – Seu Inovar-Auto dizimou o segmento de importados, empresas, empregos. E ao final deixou processos de montagem de veículos em índices de nacionalização pré-governo JK.

REDE – Em meio às investigações sobre mascaradas emissões poluentes em carros Volkswagen, o ´Dieselgate´, Rupert Stadler, presidente da Audi, foi preso. O governo alemão o acusa de fraude, falsidade documental e publicidade enganosa.E… – Audi o suspendeu das funções, nomeando interino Adrian Shot, holandês, diretor de vendas. Questão pode provocar alterações de governança na corporação porque a defesa isentava diretoria da trapalhada, mas as investigações da justiça alemã chegaram ao topo. Não apostaria no retorno de Stadler, mesmo inocentado, ao cargo. Cachorros grandes visam seu posto.

FORA – Em seu site, o BNDES publicou estudo sobre a falta de evidência de sua coresponsabilidade para a greve dos caminheiros. Alguns economistas indicam os mecanismos de financiamento como responsável pelo excesso de veículos ante a redução de frete causada pela retração econômica.

GENTE – Douglas Mendonça, jornalista, outro olhar. Encerrou relação de 24 anos com a revista Motor Show, da qual foi diretor e alavancador. Mantém seu Blog “Papo de Garagem”, no site da Motor Show e a coluna “Carros e Causos” no portal Auto Papo. Além disso, inicia colaboração no Autoentusiastas. OOOO Gustavo Ruffo, jornalista, bipremiado. Prêmio pela Associação Brasileira de Engenharia Automotiva com reportagem RenovaBio sobre produção de etanol. Do ramo. OOOO Ronaldo Berg, automobilista, ex-VW e Audi em assistência ao cliente e competições, ex-aposentado. Contratado pela Caraigá, grande revenda paulistana das duas marcas para supervisionar satisfação dos clientes com produtos e serviços. Grande aquisição. OOOO Philippe de Rovira, economista, sobe. Era o Nº 1 de finanças na GM Opel e, com a aquisição pela PSA, ascendeu a CFO do grupo. OOOO Dhivya Suryadevara, nova CFO da corporação GM. Reportar-se-á diretamente a Mary Barra, CEO, enxugando a empresa. Num comparativo, o antigo General hoje mal é Major, e dona Barra tenta não perder patentes. OOOO Mathias Hofmann, doutor em engenharia, mudança. Novo responsável pela montagem de BMWs. Não se reporta à presidência da empresa no Brasil, mas à área de engenharia na Alemanha. OOOO (Os artigos assinados por colaboradores desse site são de inteira responsabilidade dos seus autores. A editoria geral desse veículo, necessariamente, não concorda com todas as opiniões aqui expressas. Texto desta coluna tem autoria do jornalista Roberto Nasser) 

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