31 / 08 / 2017

Sandero RS, o “hot hatch” da Renault

 

 

Dentre as muitas classificações de veículos surgidas recentemente, nem sempre há tanta precisão quanto à descritiva para os automóveis de traseira truncada dotados de comportamento superlativo. São os ´hot hatches´. Na categoria, o nacional Renault Sandero RS desponta pelo equilíbrio entre performance e preço. É o carro para os sensíveis às respostas mecânicas refinadas, sem abrir mão da missão básica de transportar quatro pessoas confortavelmente, incluindo crianças pequenas devidamente ancoradas aos engates Isofix.

RS, o Sandero arisco!

RS, o Sandero arisco!

É um exercício da Renault Sport, área de engenharia esportiva da marca francesa, e no caso, integrante de série restrita a 1.500 unidades, nas quais uma plaqueta de colocação desvalorizada – sob a alavanca do freio de mão… – indica tratar-se de Renault Spirit. Para identificar, habitáculo com teto preto, apliques vermelhos nas saídas de ar, nos instrumentos, nas costuras dos bancos. Fora, nas capas das pinças dos freios a disco nas 4 rodas em liga leve e aro 17” com bons pneus Michelin 205×45. Cor externa apenas branco, prata e preto. Renault implementou os sistemas do automóvel: plataforma, freios, suspensão com amortecedores mais rígidos e barra estabilizadora mais espessa, direção eletro-hidráulica, câmbio reduzido em suas seis marchas. Não mexeu no motor, um 2.0 de 4 cilindros, 16 válvulas, produtor de 150 cv e 20 kgf.m de torque quando abastecido puramente com álcool. Prática de uso, de 0 a 100 km/h em ótimos 8 segundos. Se o condutor aspirar a piloto, o sistema RS Drive oferece três modos de comportamento. Desde o mais contido, mantendo ligado o controle de estabilidade; ao Sport, com respostas mais rápidas ao acelerador, marcha menos lenta; Sport+ é para os nascidos com GPS, os que se acham, e aí se permitem desligar o controle de estabilidade e voltar ao tempo dos homens sem medo. Quem sabe e gosta, encontrará parceiro sempre disposto, e com confortos como alarme sonoro para a troca de marchas, dispensando olhar para o ponteiro do conta giros. É bom ao uso normal, apesar do motor não ter sido melhorado, e pelo fato de sua potência específica (cavalos x litro de cilindrada) ser inferior a outros carros sem pretensões esportivas, SUVs coreanos ou o inimaginável Ford EcoSport, o conjunto muito auxilia a bons resultados e boas sensações. Média de consumo em cidade civilizada, cerca de 11 km/litro. Poderia ser melhorado: um pouco mais de trabalho no motor e remapeamento da injeção ganharia uns 10% de potência. A Renault poderia examinar um trambulador de marchas de qualquer Volkswagen para absorver o DNA, o ´cloc´ de engates precisos. E relocar a plaquinha, expondo-a como carteira de identidade da versão especial e competente. Preço sugerido de R$ 66.400.

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Uruguai, base de utilitários Peugeot e Citroën >> Em seu bem sucedido processo de sobrevivência e rentabilidade, o grupo PSA (das marcas Peugeot e Citroën) seguiu tendência mundial e centrou a produção de todos os seus veículos em apenas três plataformas. No caso, na América Latina, duas se distribuem entre Argentina e Brasil. Terceira, comercial, sem semelhança com as outras, baseará utilitários. No Continente, montados no Uruguai. Sistema muito assemelhado ao realizado no Brasil para os carros Premium: quase a totalidade de partes importadas e pequena agregação de mão de obra e partes de produção regionalizada no Mercosul. No caso uruguaio, os pequenos furgões Peugeot Expert e Citroën Jumpy utilizam bancos, pneus, bateria, rádio e instalação elétrica. O mais é importado da França, e o índice de regionalização parte de 30%. Produtos iniciais são furgões com capacidade de carga de 1,5 T, motor diesel de 4 cilindros, 1.6 HDi, 115 cv, transmissão manual de 6 velocidades, tração dianteira. Após, versões mistas para passageiros e cargas, e depois as exclusivas a passageiros. São de tamanho médio, equivalentes e concorrentes com os Mercedes-Benz Vito feitos na Argentina. Montagem por operação indireta, somando a PSA, seus importadores no Uruguai e a Nordex, uma das fábricas especializadas em montagem no vizinho país. A Nordex é autêntica montadora: recebe partes e as agrega. Tem intimidade com o mercado brasileiro: faz-nos o Kia Bongo. Esforço consumirá total de US$ 20 milhões, incluindo adequação da planta, individualizar e desenvolver fornecedores, e construir pista de testes com 1,2 quilômetro. Capacidade instalada de 6.000 unidades anuais, 10% do pretendido pela PSA como vendas regionais da marca em 2021.

Nordex: em Montevidéu iniciou montar Expert e Jumpy (Foto: Rodrigo Barcia)

Nordex: em Montevidéu iniciou montar Expert e Jumpy (Foto: Rodrigo Barcia)

Novidade >> Decisão da PSA fazer uma picape não é novidade. Foi tomada há meses e a nossa Coluna divulgou. Fato novo é a decisão de produzi-lo até 2021 no Uruguai, como anunciado por Pablo Averame, Nº 1 em produtos para a América Latina, em entrevista a Rodrigo Barcia do Autoblog Uruguay. Não se trata do recém lançado modelo Peugeot Pick Up 4×4 feito com a associada chinesa Dongfeng para o mercado africano, mas produto com viés centrado nos lucrativos similares produzidos aqui no Mercosul. Dos demais comerciais, o Citroën Berlingo voltará a ser importado, assim como os Boxer e Jumper, antes construídos pela Fiat sobre base Ducato, com a saída da operação no Brasil. Lançamento do Citroën Jumpy e Peugeot Expert na Fenatran em outubro, São Paulo.

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RODA-A-RODA

DE NOVO – Mercedes-Benz não digere o enorme prejuízo e a oportunidade perdida para fazer o Maybach, sua marca de super luxo, feita para superar até a Rolls-Royce. Foi ao Pebble Beach Concours d’Élegance (Califórnia) com evolução do conceito mostrado no ano passado na mesma festa de automóveis antigos.

Quase pronto, conceito Mercedes-Maybach Vision 6 é do tipo “chegou, está chegado!”

Quase pronto, conceito Mercedes-Maybach Vision 6 é do tipo “chegou, está chegado!”

TEMPOS DE GLÓRIA – Levou o conversível Vision 6. Quase 7 m de automóvel, bela distribuição de espaços, uma escultura impositiva e móvel por motorização elétrica. Fará bonito até em Mônaco em frente a longos iates e seus helicópteros.

REALIDADE – Muita eletrônica, motores elétricos com 750 cv, autonomia de 320 km, 0 a 100 km/h em 4 segundos. Motor menor ante o V12 Mercedes, permite adicional compartimento de bagagens sob o capô, como uma cesta de piquenique…

BOM – Boa notícia. Produção até o final da década. Não precificado, mas dá tempo para você se capitalizar por trabalho.

ENSAIO – Liderança de vendas entre as picapes da marca, a Ranger com motor diesel 2.2 permitiu criar série especial: cabine dupla, automática, 4X4, controles eletrônicos de estabilidade e tração, assistente de partida em rampa e outros confortos como vidros, travas e retrovisores elétricos. É a Sportrack e a depender da aceitação tornar-se-á produto de linha.

CAMINHO – Randon, de implementos de transportes juntou-se à Expedição da Rota de Integração Latino-Americana. Iniciativa busca desenvolver nova rota comercial entre Mato Grosso do Sul e o Chile, para ampliar uso dos portos do Pacífico às cargas brasileiras.

AÇÕES – Para viabilizar, há necessidade de redução burocrática, de entraves alfandegários, melhoria das estradas e construção de ponte binacional sobre o Rio Paraguai. O caminho pelo Pacífico reduz 8.000 km ante o do Atlântico.

MAIS UM – Exceção entre os muitos prometidos e não viabilizados, Foton Caminhões iniciou vender as primeiras unidades. São o Minitruck de 3,5 T, e o Citytruck de 10 T, produzidos na fábrica da Agrale, Caxias do Sul, e empregam componentes nacionais como o motor Cummins; câmbio ZF e diferencial Dana.

AJUDA – Porto Seguro Transportes ampliou a extensão do guincho gratuito aos seus segurados: em caso de acidente: 400 quilômetros de cobertura. Mais? https://goo.gl/PdMqQC

ANÚNCIO – Capacidade industrial esgotada pela demanda ao Kwid, sem necessidade de anunciá-lo, Renault tentou fazer campanha publicitária para todos os seus produtos. Um incentivo a viagens de automóveis.

PROPOSTA – Conceitualmente, uma ideia boa: quebrar estereótipos regionais do tipo “baianos lentos”, “cariocas malandros”, “nordestinos preguiçosos…”, mas ideia não foi entendida ou bem recebida. Ante reclamações nordestinas, por onde começou, retirou-a do ar.

IMAGEM – Para exibir a ligação dos consumidores com seus carros, a Shell, por intermédio da agência Wunderman, veicula filme no qual o paraquedista Arthur Zanella salta e seu carro, um GM Montana, é jogado de um avião. Veja aqui: https://www.youtube.com/watch?v=tZQHPl3d_JY

EMPODERAMENTO – Carbify, serviço de mobilidade urbana, como o Uber, foca nas mulheres como diferencial de segurança. Promoveu curso para 50 motoristas parceiras em Brasília.

INTERPRETAÇÃO – Mercado de usados tem vocabulário próprio. Nele, citar “BMV” pode não significar aportuguesamento da marca bávara BMW, porém, “Brasília Muito Velha…” E a indicação ABS pode diferir do poderoso sistema de equilíbrio nas freadas viris, apenas descrevendo o método frenante em carros velhos e descuidados: “Aperte, Bombeie, Segure…!”

GENTE – Lee Jae-yong, executivo, 3º homem mais rico da Coreia do Sul, vice chairman do conglomerado Samsung, está preso. Doações a entidades não governamentais ligadas à ex-presidente Park Geun-hye, deposta e também presa, em troca de favorecimentos numa controversa fusão em julho de 2015. Pena? Cinco anos de prisão. Justiça de lá é rápida: entre ser ouvido e condenado, decorreram 9 meses. Cabe recurso a tribunal e apelo ao Presidente da República. OOOO Gerald Lautenschläger, alemão, tem novo desafio. Diretor de Operações Europa na recém renascida Borgward. Do ramo: ex-Opel, do Instituto de Marketing e Psicologia. Missão: preparar volta da marca à Europa.

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Os Mercedes Axor e o milho em espiga >> Milho é o segundo produto agrícola brasileiro, de previstas 97 milhões de toneladas na safra 2016/7. Transportá-lo em espigas, carga não padronizada, do campo ao processo beneficiamento, exige área cúbica. O centro-oeste lidera a produção, capitaneada pela cidade mineira de Patos de Minas. Nela, o operador Elias Caixeta, presidente da Transgrãos adquiriu 105 cavalos mecânicos Mercedes Axor 2536 6×2. Da marca tem agora 280 caminhões.

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Os Axor são extra pesados, tracionam semireboque com 13,6 m de comprimento, aumentando a capacidade cúbica de carga, exigência da operação. Projeto e adequações aplicadas pela Mercedes-Benz compatibilizam-no às demandas dos usuários, com agrados a empresário e operador. Aos primeiros, resistência, durabilidade, operação econômica, dimensionamento mecânico para operar em estradas asfaltadas ou de campo, e ampla rede de concessionários para assistência. A quem dirige, materializa o conceito Econfort, de operação confortável, rivalizando com automóveis bem dotados, com nova geração de bancos, volante multifuncional, sistema de som, tacógrafo digital, novo painel, freio a tambor, eixo de tração sem redução nos cubos, câmbio automatizado com funções EcoRoll, Power e Manobra, suspensão pneumática no chassi, a ar na cabine, vidros elétricos e ar-condicionado. OOOO (Os artigos assinados por colaboradores são de inteira responsabilidade dos seus autores. A editoria geral desse veículo, necessariamente, não concorda com as opiniões aqui expressas. Texto desta coluna: Roberto Nasser)

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