02 / 02 / 2017

WR-V, novo SAV Honda

Passo corajoso, a Honda Automóveis desenvolveu o seu primeiro veículo no Brasil. Nada do figurino praticado no 20 anos de industrialização, apenas ajustando projetos estrangeiros às características nacionais, mas a liberdade de desenvolver carro único. É o WR-V, à primeira vista imaginado como um Fit com as extremidades modificadas, mas visto em detalhes passou por grande evolução. É o corolário da implantação de um centro de pesquisa e desenvolvimento, hoje com 300 engenheiros, em seu primeiro exercício de independência. Dedicaram-se a analisar exigências nacionais e a dos compradores brasileiros, e à criação de novo produto com características diferenciativas dos outros SAV da Honda para restringir a canibalização. Plataforma foi esticada para permitir maior distância entre os eixos, no caso 2,55 m. Bitolas alargadas a 1,49 e 1,47 m dianteira/traseira, suspensões revistas, amortecedores com mais capacidade, novas peças desenvolvidas, buchas aumentadas para cumprir pretenso uso: elevar-se quase 4 cm e oferecer estabilidade e bom controle. Lista das peças mudadas é grande, incluindo até a caixa de direção com assistência elétrica e sua fixação agora em 3 pontos. Pretensão da Honda foi criar produto novo com cara de SUV, apesar de o projeto não consentir a tração nas 4 rodas, marco separador entre SAV e SUV. O tratamento foi para dar-lhe cara de valentia com mais altura do solo, 17,9 cm e capacidade de enfrentar os buracos e os desníveis dos pisos da América do Sul. Emprega rodas de liga leve, aro 16”, pneus 195/60, com lateral em medida apta a enfrentar buracos razoáveis sem corte. Design auxilia com a frente elevada e atrás as grandes lanternas envolvendo as laterais dão a impressão de largura. A empresa anuncia que irá exportá-lo a países vizinhos e também divulga a decisão da Honda na Índia querer produzi-lo. Apesar de mais espaço aos passageiros e bagagens, do aumento a 4 m de comprimento, e da colocação mercadológica com preço abaixo do HR-V, a Honda não descurou do interior, revestido em plástico preto de boa qualidade, com insertos de frisos em metal fosco. Estofamento mescla tecido liso ou estampado, e partes em cinza ou laranja com sobreposição de uma espécie de véu. É simplificado relativamente ao Fit e ao HR-V, entretanto, bem ajustado quanto a pretensões e colocação mercadológica, moldando seu próprio espaço.

Honda WR-V: tudo para ser novo líder do segmento

Honda WR-V: tudo para ser novo líder do segmento

Mecânica comum aos irmãos de linha, motor dianteiro, transversal, 4 cilindros, duplo comando para 16 válvulas e o mecanismo V-Tec, desenvolvido para a Fórmula 1 e aplicado aos carros de produção em série para melhor eficiência na abertura e fechamento de válvulas. Produz com gasolina e álcool, respectivos 115/116 cv aos 6.000 rpm, torque de 15,3/15,2 kgf.m aos 4.800 rpm. Transmissão CVT com conversor de torque, tração dianteira. Com tal conformação e desenho mais limpo, quer aumentar o poder de competitividade da marca para operar em faixa inferior de preço ao HR-V, cuja versão mais econômica anda em torno de R$ 90 mil. Preço não divulgado, mas projetado a partir de R$ 70 mil. WR-V significa Winsome Runabout Vehicle, ou veículo recreacional e cativante. Winsome significa alegre, agradável e atraente em inglês. Lançamento em 15 de março, comercialização imediata. Projeção necessária, o WR-V por desenho, constituição, preço e a demanda do mercado por SAVs, pode se tornar o mais vendido da Honda. Companhia anseia por retorno às vendas: fez fábrica nova em Itirapina (SP), inaugurou e fechou. Mantém 30 engenheiros de manutenção operando as máquinas, à espera de demanda de compra para esgotar a capacidade industrial da fábrica piloto em Sumaré, a 100 quilômetros, permitindo operações na fábrica nova.

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RODA-A-RODA

SURPRESA – Durante assembleia para acionistas e investidores, a Dana de autopeças anunciou que fornecerá os eixos para o Bronco, previsto para 2020.

Ford Bronco: voltando aos poucos

Ford Bronco: voltando aos poucos

PRA VALER – A volta empregará, como nas picapes F-150 e Ranger, aços especiais e alumínio militares para reduzir o peso. Diferenciais serão AdvanTEK, rígidos na dianteira e traseira. Uma curiosidade. Há anos, após série de acidentes com SUV Explorer, a Ford trocou os traseiros pelos articulados. Rígidos apenas nas picapes.

DE VOLTA – Quando produzido entre 1965 e 1996, o Bronco tinha mais garra para andar em lugares sem estrada e mais velocidade no asfalto.

FUTURO – Declaração recente de Bill Ford, atual presidente: “O Bronco será um verdadeiro 4×4”. O modelo foca o Jeep Wrangler, de boas vendas e com a versão de quatro portas. Quer fazê-lo mais valente, confortável e tecnológico. E superar característica do Wrangler nos EUA: a capacidade de ser personalizado.

OPÇÃO – Curioso a Ford projetar um produto novo quando poderia partir do chassi rolante do Troller, recém-desenvolvido por ela no Brasil e teoricamente aplicável ao desejado jogo duro. Utiliza boa parte de componentes da Ranger.

TROMBADA – Em intensa campanha para aceitação mundial, o Mustang deu um grande susto na Ford. Nos testes de impacto pela EuroNCAP, avaliando a segurança dos veículos vendidos na Europa, levou nota 2 em escala de 1 a 5. Pior avaliação geral em nove anos, até mesmo ante o modelo anterior. O problema está nos airbags. 

Ford Mustang: reprovado pelo EuroNCAP

Ford Mustang: reprovado pelo EuroNCAP

AJUSTE – Uma das medidas da Volkswagen para solver questão dos motores a diesel de automóveis poluindo acima das normas legais, foi recomprar centenas de milhares de seus veículos. Solução legal, logística problemática.

E AÍ? – VW da América tem imensurado mar de VWs e Audis em enormes áreas alugadas para estacioná-los enquanto não encontra solução. Atualiza os sistemas? Substitui motores por versões a gasolina – operações gigantescas em movimento e custos – para vender como usados? Esmagá-los, como já o faz, para usar os ferros caros transformados em sucata? Ou mandá-los à Rússia para revendê-los a preço de liquidação em mercado sem rigor com emissões de poluentes?

NÃO SABIA… – Na semana passada o seu ex-poderoso CEO Martin Winterkorn depondo em comissão de deputados alemães, disse ter sabido dos truques de engenharia para burlar as regras de emissões poucos dias antes do escândalo surgir. Autowäsche (Procuradores Federais) contestam mostrando, em meio à montanha de eMails enviada num fim de semana, um ano antes do escândalo, problema foi levado ao seu conhecimento. Mandados judiciais autorizaram buscas em 28 casas e escritórios. É a Lava Jato de lá, a Autowäsche.

RENOVAÇÃO – Mercado automobilístico argentino cresce lentamente após grande queda causada pela crise no Brasil, comprador de metade de sua produção.

CONVERSA – Buscando solução, o governo Macri discute sugestão de empresários: isenção da carga tributária. Há margem para redução. Lá os automóveis recolhem entre 54 a 65%. Renovação recebendo usados não deu certo.

NOVIDADES – Chery confirmou acrescer o suv Tiggo II e o sedã Arrizo 5 em sua linha de produção na fábrica de Jacareí (SP). Tiggo II chegará em abril e o Arrizo em setembro. Tiggo, o primeiro representante da marca no país, terá motor 1.5 flex e transmissão CVT de 5 marchas. 

Tiggo II: produção local em abril

Tiggo II: produção local em abril

DE NOVO – Ford iniciou produzir o EcoSport revisto e melhorado. Frente nova, realce para conectividade, estepe mantido na tampa traseira. Ex-líder do setor vem despencando em vendas e agora enfrenta uma turma grande de concorrentes. Lançamento em março. Em fevereiro, ´Avant première´ para a imprensa.

LANÇAMENTO – Nissan acelera para iniciar as vendas da nova picape no Brasil até março, em coincidência com o ano assinalador da tradição de fazê-los há oito décadas. As vendas começarão pela Argentina, com unidades mexicanas. Após, produção local a partir do Salão do Automóvel, outubro 2018. Pela primeira vez dividirá a estrutura básica com outras marcas.

DIFERENÇAS – À Renault entregará o chassi, mecânica e carroceria quase pronta, para ser finalizada com partes da marca para personalizá-la. Para a Mercedes, chassi sem motor, para receber um da marca alemã. Os três serão produzidos em Córdoba, Argentina.

CRESCIMENTO – Strasse, revendedora das preparadoras alemãs Brabus, Oettinger e Gemballa, cresceu 300% nas vendas em dezembro. De 1 veículo/mês foi a 3 unidades.

CLIENTELA – Expectativa de Julico Simões, dono do negócio, é expansão maior em 2017. Conjuga redução de preços em até 20% acompanhando queda no valor do Euro, e financiamento em 10 vezes por cartão de crédito. Degrau inicial é o Mercedes C 180 por R$ 168.800, e vai a R$ 3.037.000 para o S 65 Brabus Rocket!

AUMENTO – Em 2016 a Ford cresceu 10% no segmento de picapes médias. Maior expansão na faixa dos modelos movidos a óleo diesel, onde versão 2.2 com transmissão automática auxiliou as versões intermediárias a crescerem 31%.

RECALL – Fiats Punto em chamada para verificar e trocar o eixo traseiro. Um dos fornecedores cometeu erro técnico e peça pode trincar e romper-se. Não há ocorrência, mas a Fiat se previne. Tens um? Veja em www.fiat.com.br

APOIO – Inglesas BP e Castrol são as novas patrocinadoras da equipe Renault na Fórmula 1. Fornecerão combustíveis e lubrificantes. Próximo movimento, produtos Renault e Nissan em todo o mundo deverão ter óleos Castrol como primeiro enchimento e para futuras trocas.

CONFIANÇA – Imagem da categoria máxima do esporte a motor ajuda vendas e faturamento. As inglesas acreditam no time francês superando a alemã Mercedes, vencedora nos últimos anos.

OUTRA? – Da usina de boatos da Fórmula 1, mais recente até ontem, Bernie Ecclestone, após deixar o comando do negócio, voltaria com nova categoria distante dos custos da Fórmula 1 e da insossa e inodora Formula E.

GENTE – Rafael Miotto, engenheiro mecânico e de armamentos, promoção. Diretor de Produtos e Serviços da CNH Industrial, marca Fiat de tratores e máquinas de construção, agora é o novo Vice Presidente para América Latina. OOOO Luiz Carlos Mendonça de Barros, economista, presidente do Conselho da Foton, trabalho. Acumulará a executividade da presidência às vésperas do lançamento dos caminhões da marca. Bernardo Hamacek, na função desde o surgimento da companhia, saiu ou saído sem explicações ao mercado. OOOO (Os artigos assinados por colaboradores são de inteira responsabilidade dos seus autores. A editoria geral desse veículo, necessariamente, não concorda com as opiniões aqui expressas. Texto desta coluna: Roberto Nasser) 

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